Camelódromo de Londrina: coração comercial e popular da região

Burburinho, azáfama, bulício, polvorosa, rebuliço, balbúrdia. Palavras bonitas e sonoras que descrevem bem as feiras de Londrina. Essa não é bem uma feira de vender frutas e verduras, mas uma feira de tudo. “Tudo o que você procura, encontra aqui”, dizem categoricamente os vendedores e donos de lojas. E tem mesmo. O William do Pão de Queijo, a Dona Maria dos Brinquedos, o Rosinaldo do Vídeo Game, o Paulo da Pesca. O Camelódromo é, antes de tudo, uma feira de gente. No meio de bugigangas, roupas, bolsas, brinquedos, DVDs (em uma das lojas de DVD pirata, um filme de Truffaut pendurado na banca parecia querer dizer: “Aqui tem de tudo, mesmo! Acredite!”). Além da poluição visual – a retina não sabe onde se fixar em momento algum – tem também os cheiros. De salgados vendidos de baia em baia. De tecido, de cabelos recém-lavados pela manhã, de mofo, de poeira, de perfume. E os ruídos. Uma algazarra que não acaba nunca pelo truncado labirinto de corredores interminável.

Feira livre no coração de Londrina

A outra feira é a céu aberto. “Olha a abobrinha da boa. Moça bonita não paga, mas também não leva”, é a frase manjada, mas dita com a certeza de mais uma manhã de boas vendas na feira livre do Cemitério São Pedro. Isso mesmo: a feira, que celebra a vida, acontece em frente ao local que vela os mortos. Gente apressada, que quer comprar e voltar logo para casa, se mistura aos que querem apenas flanar sem pressa. E também tem de tudo: frutas, verduras, bucha vegetal, palmito in natura, pastel, queijos, compotas, eletrônicos. Eletrônicos? Pois é, também tem de tudo. Gente rica, gente pobre, gente que se mistura para conversar, pechinchar, brigar com feirante pelo preço da banana (saudades banana a preço de banana!). Um cicio que não para nunca, um emaranhado de vozes, tosses, risos, passos, rodas de carrinho que são tão presentes quanto as próprias barracas. A feira é um ritual que sobrevive as décadas. Um ritual cuja liturgia é a resistência do contato humano direto e reto, em um mundo intermediado pelas telas. A feira, acima de tudo, é um lugar para ser gente.

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