Além de birrento, Mãe Só Há Uma é superficial e insosso

Em novo filme, diretora de Que Horas Ela Volta? explora mal temas como relação familiar, transexualidade e juventude

Por Bruno Petri

Fotos: Divulgação

Que Horas Ela Volta? é a obra prima de Anna Muylaert. Ainda. Em seu novo filme Mãe Só Há Uma (2016), a diretora provoca, mas não empolga. O argumento é instigante e conflituoso. Pierre, interpretado por Naomi Nero, é um garoto andrógeno que descobre ter sido sequestrado na maternidade e é obrigado a conviver com a família biológica. O choque de realidade é mútuo, tanto para a nova família que recebe um adolescente educado por uma outra mãe, quanto para o garoto que se encontra em um ambiente diferente – visto o alto padrão econômico encontrado na nova casa.

Mas, o principal conflito de Mãe Só Há Uma é em não dizer para o que veio o filme. É um longa sobre relação familiar, transexualidade ou juventude?  Os três temas são fortes, mas nenhum explorado. Anna até tenta empolgar em algumas cenas, mas não consegue. A impressão que se tem é que o garoto provoca por provocar, tornando o enredo – e consequentemente, o filme todo – birrento e mimado.

Há frases de impacto no filme. Uma delas é a cena em que Pierre insiste em comprar um vestido, contrariando o pai, interpretado por Matheus Nachtergaele, que diz: “Qual o limite para não te perder? (…) De quantas formas você quer que a gente te perca?”. A fala é forte, mas se perde no longa. A conquista afetiva da nova família era um ponto chave para ser abordado. Anna poderia ter problematizado mais a nova realidade do garoto na família biológica, já que ele é obrigado a se adaptar e construir laços afetivos com os novos pais. Mas, a diretora negligencia e deixa o tema passar batido, o que é ruim, contribuindo ainda mais à característica birrenta do filme visto a indiferença de Pierre após a declaração do pai sobre como conquistá-lo.

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Outra cena superficial de Anna Muylaert é o encontro dos pais biológicos da irmã que Pierre teve com a mãe que o sequestrou. Os pais da menina chegam à residência onde ela morava e, em meio a felicidade, tenta convencer a criança a ir para a “verdadeira” casa, prometendo presentes em troca. Visivelmente, a menina era uma pré-adolescente e não se furtaria a ir facilmente ao novo lar.

O roteiro de Mãe Só Há Uma é adolescente e pirracento como Pierre. Que Horas Ela Volta? é maduro e completo como a empregada Val. Ambos geram conflitos, mas apenas o segundo é relevante. Se a intenção de Anna Muylaert é caracterizar seus filmes por meio do personagem principal, Mãe Só Há Uma infelizmente conseguiu.

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