Sem apoio no Paraná, jogares de futebol americano tiram dinheiro do bolso para participar de competições

Famoso nos Estados Unidos e em alguns outros países, atletas tentam dar continuidade e visibilidade ao esporte

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Falta de estrutura e horários alternativos não impedem que os atletas treinem e se preparem para as competições {Foto: Natalia Malvezzi}

Natalia Malvezzi

Defensive line, defensive tackle, defensive end, linebacker, coner, quarterback, jardas, jogador ejetado, over time, são regras e posições de um futebol que não é muito famoso por aqui. Talvez você nunca tenha ouvido falar de tantos nomes diferentes em um único esporte e pode não fazer ideia que ele é praticado na nossa cidade por 64 atletas. O objetivo é fazer touchdown, sempre baseado na estratégia tática, desde a defesa até o ataque.

O Londrina Bristlebacks Futebol Americano começou em 2012, mas devido a barreiras burocráticas, apenas em 2014 se tornou pessoa jurídica e conquistou o título de utilidade pública, aprovado por lei pela câmara da cidade. Desde então participa de competições buscando tornar o futebol americano conhecido e prestigiado na cidade.

A realidade brasileira é totalmente oposta ao panorama encontrado no hemisfério norte. Na liga norte-americana, a NFL, o futebol americano tem o mesmo peso e relevância que o futebol tem no Brasil, ou mais. Os times possuem patrocínios, apoios, investimentos e estruturas que fazem do esporte uma profissão.

Rafael Souza Oliveira, 36 anos, preparador físico do time há um ano e jogador desde 2013 como defensive end (defesa), explica as maiores dificuldades que a equipe vem

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Os atletas que não possuem o próprio equipamento utilizam o material coletivo {Foto: Natalia Malvezzi}

enfrentando. “Eventualmente contamos com apoio em algumas coisas, mas basicamente falta tudo, a gente tem que por nosso dinheiro para bancar viagem, alimentação. Este ano conseguimos o apoio da Fundação do Esporte, mas é só um apoio, não é patrocínio. Quanto ao equipamento, boa parte dos jogadores tem o seu, os que não têm usam do time”, esclarece Oliveira.

O apoio da Fundação de Esportes veio através do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (FEIPE), que auxilia e financia diferentes modalidades esportivas. A equipe londrinense concorreu na categoria Modalidades Alternativas que tinha, ao todo, R$ 225 mil reais disponíveis. A equipe conseguiu o percentual máximo: R$30 mil.

Raul Almeida, 46 anos, é atleta do time e foi um dos responsáveis por elaborar o projeto que conseguiu o apoio da FEIPE. “No meu trabalho eu mexo com esses trâmites governamentais, por isso uni minha experiência com a ajuda dos outros meninos e organizamos os documentos conforme o edital, o projeto e o cronograma. Um dos nossos objetivos era ficar entre os cinco melhores colocados no paranaense e ficamos em quarto, superando as expectativas” explicou.

Após a divulgação do edital final com as equipes selecionadas, é necessário apresentar uma planilha de distribuição de valores, descriminando onde a verba será aplicada. Após a aprovação dessa planilha, não é possível realocar valores. “É uma questão de transparência, para evitar o desvio de recurso”, completou Almeida.

Liderar esses mais de 60 atletas não é uma tarefa fácil. Fernando Ohashi, 34 anos, é presidente do Londrina Bristlebacks e conta como é exercer essa função. “É ser o pai de todo mundo, né. Mas independente disso, sou jogador também, respeito a todos – tem a hora de brincar, mas também tem a hora da seriedade. É prazeroso pra gente estar aqui, treinando às 23 horas numa terça-feira, vendo todo mundo se dedicar.”

A Taça 9 de Julho, campeonato realizado no estado de São Paulo e considerado um dos eventos mais importantes para a categoria, segue até novembro e conta com a participação do time londrinense como convidada da competição. Até agora foram dois jogos e duas vitórias, contra as equipes das cidades de Presidente Prudente e Araçatuba. No dia 23 de outubro, o jogo será em Londrina, porém sem lugar definido, devido à falta de estrutura da cidade.

Para finalizar, o presidente destaca o princípio da modalidade. “Trabalho em equipe, temos que confiar nos nossos companheiros, mesmo que ele não seja tão bom tecnicamente. Lógico que temos sim os jogadores que se destacam, mas não tem uma estrela do time, todo mundo tem que se dedicar, afinal ninguém se destaca sem o restante do time. Isso é futebol americano”, conclui.

TREINOS

A equipe de Londrina treina às terças e quintas, das 23 horas à meia noite, na praça do aeroporto. E aos domingos, às 15 horas, no aterro do Lago Igapó.

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