Quase 15% dos jovens da OCDE não estudam nem trabalham, mostra estudo

Agência Brasil

Edição: Diego de Moraes

Quase 15% dos jovens da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), cerca de 40 milhões, não trabalham, não estudam e não estão em formação, sendo que mais de dois terços não buscam ativamente um emprego, mostra estudo divulgado hoje (5).

Na oitava edição, o relatório Society at a Glance traça o panorama e a tendência dos indicadores sociais nos 35 países da organização, assim como na Argentina, no Brasil, na China, Índia, Indonésia, Rússia, Arábia Saudita e África do Sul. A conclusão é que “a Grande Recessão provocou uma perda esmagadora de empregos, e os jovens foram particularmente atingidos”, sendo que a recuperação tem sido incapaz de devolver empregos aos jovens entre 15 e 29 anos, principalmente aos menos qualificados.Segundo o estudo, quase um em cada dez empregos que até 2007 eram ocupados por jovens com menos de 30 anos perderam-se até 2014, sendo que nos países mais afetados pela crise – Espanha, Grécia e Irlanda – o número de jovens empregados diminuiu para metade no mesmo período.

Em média, 14,6% dos jovens nos países da OCDE não trabalhavam, não estudavam e não estavam em formação (Neet, na sigla em inglês) em 2015, índice que, considerando o peso dos jovens nos vários países, subia para 17%. O rendimento bruto total que poderia ter sido gerado pelos Neet é estimado pela OCDE em US$ 360 bilhões a US$ 605 bilhões, ou 0,9% a 1,5% do Produto Interno Bruto de todos os países da OCDE juntos. Mais de dois terços de todos os jovens , o equivalente a 28 milhões, são inativos, ou seja, nem sequer estão tentando ativamente encontrar ocupação.

O estudo conclui que os Neet inativos não procuram trabalho por motivos diversos, como obrigações de assistência, problemas de saúde, dependências, assim como por não acreditar no sucesso da procura de emprego. O estudo mostra também que os jovens com níveis de escolaridade inferiores ao ensino secundário representam mais de 30% dos Neet e têm três vezes maior probabilidade de não trabalhar e não estudar do que os jovens com uma licenciatura.

Embora mais da metade dos jovens numa seleção de países nunca tenham ficado sem trabalhar e sem estudar, cerca de um quinto está nessa situação há mais de um ano. A OCDE destaca ainda que os jovens Neet têm baixos níveis de satisfação com a vida e menos confiança no outro do que os jovens que estão empregados ou estudando, além de manifestar menos interesse na política.

 

 

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