A (sobre)vida de uma editora londrinense

Maria Aparecida Miranda conta como é trabalhar no mercado de revistas em Londrina

Por Thaila Nagazawa

Uma das coisas mais interessantes e trabalhosas de se fazer o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) são as entrevistas. Não só com as pessoas envolvidas com o objeto do seu trabalho, mas também com (se você tiver sorte) quem desenvolveu um artigo que será parte da sua argumentação ou é expert em uma metodologia de seu interesse. No meu caso, não tive tanta sorte de conhecer teóricos e estudiosos da área da minha pesquisa, mas por ter escolhido um objeto local, tive a oportunidade de conversar com uma das donas e diretora das revistas mais antigas de Londrina.

Maria Aparecida Miranda, junto com a sua irmã, Maria Ângela Miranda, são sócias da empresa Sucesso – Comunicação em Multimeios, e publicam as revistas Sucesso e Bem-Estar & Saúde há mais de 20 anos. Mas, para continuar o empreendimento, foi necessário superar os desafios e entender os limites de uma revista em Londrina.

A primeira tentativa de emplacar uma publicação na cidade foi com a revista Preto e Branco, em 1986. Maria Aparecida, recém-formada e apaixonada pelo gênero, desejava fazer uma revista de arte e cultura, campo com pouca cobertura jornalística na cidade. Seguindo o nome à risca, a revista utilizava os vários tons de cinza como sua paleta de cores e brincava com sua diagramação. A revista teve apenas dois anos e dois meses de vida devido à falta de verba. “Ela [a revista] deixou saudades e prejuízos”, conta Maria Aparecida.

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Primeira edição da revista Preto & Branco, que abordava arte e cultura

A experiência ganha com a revista não foi em vão. Sabendo que para uma revista sobreviver em um mercado escasso, era preciso mais do que uma equipe grande e de qualidade, Maria Aparecida percebeu que era necessário conhecer seu público-alvo mais a fundo e entender que a área comercial também é importante. Assim, em 1996, criou a revista Bem-Estar & Saúde, voltado para um nicho pouco explorado: as clínicas médicas. Distribuída gratuitamente, o foco era os pacientes que ficavam esperando para serem atendidos.

Dois anos depois, foi lançada a revista Sucesso, voltada para escritórios de arquitetura, clínicas de estética e salões de beleza, restaurantes, entre outros estabelecimentos, e seguindo o mesmo estilo da Bem-Estar & Saúde – sendo distribuída gratuitamente e com foco nos clientes das empresas. Entre muitos tropeços e acertos, as revistas sobreviveram, porém 12 anos depois as revistas foram publicadas juntas. De um lado, a revista Bem-Estar & Saúde, e do outro, de ponta cabeça, a revista Sucesso. “Foi uma necessidade de mercado. Eu não queria deixar de fazer nem Bem-Estar e nem Sucesso e queria que elas tivessem linhas bem distintas”, explica Maria Aparecida.

Sobre a crise do jornalismo impresso e o advento da era digital e tantos outros problemas que o meio impresso enfrenta para continuar a ser publicado, Maria Aparecida dá o recado: “Acho que se você encolher as despesas e pensar em um lucro pequeno, tem que espernear para dar certo. Mas se você imaginar que vai enriquecer com o impresso, desista”.

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