Livro registra bastidores do filme “Dona Flor e seus dois maridos”

Benedito Veiga recorre a notícias de jornais para revelar curiosidades e entender as implicações da produção do longa de Bruno Barreto na cultura baiana da década de 70

Texto: Bruno Petri

Dona Flor e seus dois maridos nasceu como um romance escrito por Jorge Amado, tornou-se filme nas mãos da Família Barreto e transformou-se em minissérie na Rede Globo. Além das adaptações para o cinema e a TV, a história da mulher que sente desejos sexuais pelo marido morto, mesmo casada com um correto e tradicional esposo, foi utilizada para realçar as belezas da Bahia, transformando o estado em ponto turístico. Essas e outras curiosidades sobre os bastidores da produção do longa dirigido por Bruno Barreto e lançado em 1976 é registrado por Benedito Veiga no livro “Dona Flor e seus dois maridos: uma história de cinema… Ensaios sobre a memória da vida cultural baiana na década de 70.” (Casa das Palavras, 2009, 240 pags.).

Veiga é doutor e mestre em Letras pela Universidade Federal da Bahia e estudioso da obra de Jorge Amado e da memória crítica e cultural baiana. No livro, o pesquisador realiza uma pesquisa primorosa em jornais, utilizando notícias da época para revelar ao leitor que as casas do Largo da Palma, onde o filme foi gravado, por exemplo, existem de fato e a placa “Escola de Culinária Sabor e Arte” foi um presente da Dona Edna, proprietária do prédio e, por coincidência, prima de Jorge Amado. Didática, a obra é destinada a pesquisadores, nada se assemelhando a artigos apelativos publicados em sites populares.

O livro também revela, sempre recorrendo aos jornais, o apreço da crítica estrangeira pelo filme. Nos EUA, por exemplo, o lançamento de “Dona Flor…” aconteceu no Paris Theater, que segundo o artigo de Sônia Nolasco-Ferreira, publicado em 1º de março de 1978 no jornal O Globo, é um espaço dedicado às produções consideradas dignas de destaque pelos críticos do cinema, concebendo, desta maneira, um “cachê intelectual” ao filme.

Ao estudar os bastidores do filme “Dona Flor…”, Veiga procura entender a vida cultural, os costumes do povo baiano dos anos 70 e as transformações na vida de quem morava em Salvador após a gravação do longa, como escreve no segundo capítulo: [Cerca de doze anos após as filmagens] a fama do lugar promoveu perda de certa tranquilidade, pois, segundo o relato, os moradores se queixam de inconveniências do fluxo turístico (assaltos e insegurança).

Livro: Dona Flor e seus dois maridos: uma história de cinema… Ensaios sobre a memória da vida cultural baiana na década de 70

Autor: Benedito Veiga

Editora: Casa das Palavras

Ano: 2009

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