Nicéia Lopes e o jornalismo policial com viés social

Por Bruno Amaral

A repórter Nicéia Lopes trabalhou vinte e nove anos em emissoras de rádio de Londrina/PR, sendo que a maior parte do seu tempo de trabalho se deu na Rádio Brasil Sul. Diariamente, ela informava a cidade sobre os acontecimentos policiais por meio de reportagens e boletins. Trabalhou por nove meses no extinto JL (Jornal de Londrina), passando também pela Folha de Londrina – onde substituiu o repórter policial Paulo Ubiratan. Ainda assim, sua maior habilidade sempre foi com o rádio, e seguir nesta profissão sempre foi o seu desejo, desde pequena.

Nas produções das reportagens, Nicéia nunca se esquecia de que, por trás de cada fato policial, existiam pessoas. E esta é a função social do jornalismo, diferentemente do que acontece atualmente na cobertura da editoria de polícia: hoje, não há investigação jornalística e, muitas vezes, deixa-se de lado o código de ética da profissão – com foco no policialesco.

Lopes acompanhou de perto os principais crimes que chocaram a população da cidade de Londrina. Como no caso do empresário Marcos Campinha Panissa, que matou a ex-esposa, em agosto de 1989, com setenta e duas facadas. Ou o caso de homicídio, em dezembro de 1989, em que o juiz Luiz Setembrino Von Holleben matou o promotor de justiça, Francisco Bezerra Cavalcante, que à época decidiu investigar indícios de irregularidades em um concurso público na cidade de Ortigueira/PR. Ou ainda o caso da artista plástica Vanda Pepiliasco que, em julho de 1993, matou a empregada com um corte profundo no pescoço. E também o caso da morte da professora de música Maria Estela Pacheco, assassinada pelo ex-namorado Mauro Janene em outubro do ano 2000.

Os autores dos crimes mencionados continuam impunes. Talvez pelo fato da imprensa não cumprir seu papel de promover o debate sobre a questão da impunidade, e de acompanhar o andamento dos processos. Acompanhamento esse que sempre foi feito por Nicéia, que buscava diariamente informações sobre o que acontecia no plantão policial, evitando que muitos crimes caíssem no esquecimento. Fez isso enquanto esteve em atividade, para toda a cidade, através das ondas de rádio.

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