O sensacionalismo policialesco em detrimento do jornalismo policial

Por Bruno Amaral

A notícia é um elemento fundamental do jornalismo. Na sociedade, qualquer fato relevante, seja para algum grupo específico de pessoas ou para uma grande massa, vira notícia. De modo geral, o que se observa na mídia, especificamente nos programas policiais, é a presença de notícias factuais, assuntos do cotidiano. E a divulgação ou não de alguns acontecimentos é submetida a determinados critérios de noticiabilidade.

Atualmente, a produção do jornalismo policial se vale de uma cobertura sensacionalista. Repórteres e apresentadores dos programas policiais – na sua maioria, veiculados na hora do almoço – têm feito de tudo para conseguir aumentar a audiência. Alguns se utilizam do espaço para disseminar o discurso de ódio; desrespeitar à presunção da inocência, prevista na Constituição, na lei dos direitos humanos e no Código de Ética do jornalista; incitar ao desrespeito da lei e, assim, violar direitos fundamentais.

Durante o mês de março de 2015, a ANDI – Comunicação e Direitos, com o apoio de parceiros, realizou uma pesquisa que consistiu no monitoramento sistemático das narrativas sobre violências e criminalidades em programas policiais veiculados em rádio e TV de várias capitais. Ao todo, foram 10 programas de rádio e 20 programas de TV. Em 30 dias, foram encontradas 1936 infrações à lei e violações de direitos.

Carlos Alberto Vicchiatti, em 2005, fez uma reflexão sobre o que temos visto nos programas policialescos: “noticia-se o fato espetacular, catastrófico, frio.  Esquece-se que, em todas as situações noticiadas, há pessoas envolvidas. Não se pensa que uma notícia calamitosa também pode ser divulgada sem sensacionalismo. Esquece-se do ser humano”, lamenta Vicchiatti.

Por trás de cada fato policial existe uma história que pode ser descoberta e apresentada. O problema é que, para que isso seja feito, é preciso dispor de muito tempo. E, hoje, os veículos de comunicação – com equipes cada vez mais enxutas – têm inviabilizado a produção de reportagens mais aprofundadas, em se tratando desta temática. É importante ressaltar que tais programas estão inseridos em espaços de emissoras que têm concessões públicas e que, portanto, deveriam fornecer informações relevantes e de qualidade à sociedade.

O problema fica evidente quando o jornal policial extrapola o limite de transmitir a informação, passando a apelar para o sensacionalismo e fazendo da notícia um espetáculo midiático. A linha tênue entre o jornalismo policial e policialesco.

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