Só falta educação e paciência

 

Os números da violência no trânsito de Londrina assustam. Em 2015, 4.192 pessoas se machucaram em 3.539 ocorrências na cidade, sendo 100 vítimas fatais. Ao todo, 372 pessoas foram atropeladas e 36 morreram em decorrência dos atropelamentos, o maior índice está entre as pessoas acima de 60 anos, 21 idosos perderam a vida, o que corresponde a 58,3% das mortes, de acordo com os dados da Companhia Municipal de Trânsito de Urbanização de Londrina (CMTU).

Vias de maior incidência de óbitos
Vias de maior incidência de óbitos

 

A BR 369, administrada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e fiscalizada pela Polícia Rodoviária, é a via onde mais pessoas morreram no ano passado, 12 ao todo. Das vias sob responsabilidade da CMTU, a Avenida Dez de Dezembro é a mais violenta com 9 mortos.

 

Mapa de Londrina com os óbitos do ano passado
Mapa de Londrina com os óbitos do ano passado

 

Hemerson Pacheco, Diretor de Trânsito da CMTU, explica que a campanha “Londrina escolhe a vida”, em vigor desde 2014, é uma das estratégias da prefeitura da cidade para reduzir esses números de violência. “O programa contempla várias ações justamente para trazer segurança ao transito”.

Entre elas está a campanha “Mão estendida, velocidade reduzida” que é o antigo “Pé na faixa”. “Estamos substituindo as placas antigas e explicando aos motoristas e pedestres como funciona. Junto a isso, estamos trabalhando com o projeto “arte na faixa” onde um artista pinta a faixa e, além da arte, é uma forma de chamar a atenção dos pedestres, incentivá-los a irem até a faixa. Foi uma iniciativa para a semana do transito em setembro do ano passado, mas que terá continuidade este ano” explica.

Além da pintura de faixas, o órgão tem instalado sistemas para reduzir a velocidade e deixar o trânsito mais dinâmico para todas as partes. “Tem também os semáforos inteligentes, as boteiras para pedestres, radares móveis, faixa bicolor (vermelha e branca), faixa elevada. Então é um conjunto de ações e projetos para mudar essa realidade do trânsito londrinense”.

Educação

A educação é a base de tudo, principalmente no trânsito, onde envolve tantas pessoas. As ações da CMTU vão além de radares, faixas e placas. A companhia também é responsável por atividades de educação em escolas, centros de idosos e nas ruas.

No ano passado, foram realizadas 1.147 blitz educativas de conscientização no trânsito e cerca de 51 mil pessoas foram atendidas e instruídas. “Cerca de 95% dos acidentes acontecem por conta da imprudência, imperícia ou negligencia do condutor. 5% é por conta de sinalização apagada ou a falta dela”, comenta Hemerson.

A explicação dada aos jovens, alunos e idosos é didática e de fácil compreensão. “Nós falamos: olha para a direita, olha pra esquerda, se não estiver vindo ninguém você atravessa, se estiver você estende a mão, faz com que o condutor te veja e quando ele parar, você atravessa. Sempre olhe para os dois lados”, conta o diretor.

Um dos grandes motivos de atropelamento entre os idosos está na forma que eles atravessam a rua. Mesmo nos locais onde tem faixas, eles o fazem na diagonal e não em linha reta. “Nunca atravesse na diagonal em lugares com ou sem faixa, sempre em linha reta. Atravessando na diagonal o pedestre fica mais tempo exposto ao fluxo de veículos”.

E enfatiza: “Não adianta nada o poder público encher a cidade com faixa de pedestre se não tiver uma educação para utilização correta”.

Faixa de pedestre e faixa elevada

Quem anda pela cidade percebe que houve uma mudança nas faixas de pedestres, tanto pela quantidade, quanto pelas cores. Ao todo, 100 faixas bicolor foram pintadas e 12 foram personalizadas com o “Arte na Faixa”. Segundo Pacheco, 10 mil metros de faixas foram pintadas no ano passado.

Quanto às faixas elevadas, a meta para 2015 era implantar 50, mas segundo o diretor, apenas 30 foram concluídas. “Realizamos em parceria com a Secretaria de Obra e como dependemos de licitação, não foi possível atingir a meta no ano passado. Mas mesmo assim as faixas elevadas estão ajudando muito, temos colocado em ponto onde há um grande número de pessoas transitando, perto de escolas, clinicas, hospitais, supermercados”.

Apesar dos esforços, a realidade ainda não está como Pacheco gostaria. “Fazemos o que está dentro das nossas possibilidades, que são limitadas, e ainda estamos apagando fogo. Quando acontece algum acidente, nós vamos lá, pintamos o local e o bairro inteiro, para poder trazer essa segurança para a população. Assim vamos pintando a cidade de uma forma geral” afirma.

Radares

A CMTU conta hoje com 5 radares móveis que são utilizados em toda a cidade. Para serem eficientes, as fiscalizações duram em média uma hora em cada local. “Com a internet e os grupos de WhatsApp, as informações sobre radares ou blitz se espalham com rapidez, se ficamos muito mais tempo, perde o sentido”, brinca Hemerson.

É comum ouvir as expressões “indústria das multas” ou “fábrica de dinheiro” quando o assunto é radar, mas o diretor garante que isso não existe em Londrina. “A “indústria das multas” tem que ter uma matéria prima, que é o infrator. Então se as pessoas andarem no limite da via, não vai ter multa.  Se não mexerem no celular, não vão ser multados. O país está em uma crise moral. Quem faz o errado é o certo, quem faz o certo tá errado. Isso acontece muito no trânsito” analisa o diretor.

Multas

71.253 autuações foram registradas no ano passado, o que representa quase 400 por dia. As principais infrações são: não usar cinto de segurança, falar ao celular enquanto dirige, estacionar em local proibido e estacionar na faixa de pedestre.

De janeiro a dezembro do ano passado, 4.873 pessoas foram multadas por estacionar em cima da faixa de pedestres.

De acordo com o artigo 214 do Código de Trânsito Brasileiro, é infração gravíssima não dar preferência ao pedestre na faixa, a multa é de R$ 191,54 e o motorista perde 7 pontos na carteira.

Victor Belieiro, 27 anos, já foi multado por não parar para os pedestres passarem. “Foi na rotatória da Santos Dummont com JK, eu estava vindo pela Santos Dummont na faixa da esquerda e o trânsito estava parado na faixa da direita, então o pedestre aproveitou para atravessar na faixa, mas eu não o vi e acabei passando. Tinha um guarda da CMTU bem na hora e me multou. Eu realmente não vi, não foi de propósito. Apesar de não gostar desse “Pé na faixa”, eu respeito, sempre que dá eu paro” conta o motorista.

 

Critérios

Todas as formas de sinalização instaladas na cidade, desde faixas elevadas até os radares móveis, precisam de um estudo técnico prévio, ou seja, é feito um levantamento de todas as vias com excesso de velocidade ou com alto índice de acidentes para constatar qual tipo de sinalização é adequada para o local. “Se não houver um estudo, há o cancelamento do auto (multa). Tem que estar homologado, comprovado que há a necessidade. Fazer multa sem placa, por exemplo, não pode”, explica o diretor.

Central de Controle 

Atualmente, todo o controle e administração dos semáforo são feitos manualmente pelos agentes da CMTU e a previsão é que neste ano isso comece a mudar. “A nossa intensão é implantar uma central para controlar o sistema viário inteiro. Na famosa “onda verde”, os sinais são sincronizados de forma manual, um por um. Queremos colocar em pauta essa central inteligente que programa todos os semáforos da cidade. Isso melhora para a gente e para toda a população”, finaliza o diretor.

A saga

Antes dessa reportagem eu raramente parava para pedestres, até porque eu raramente estou no papel deles. Sempre saio de carro, paro o mais perto possível do local onde pretendo ir e só se for muito necessário, utilizo as faixas. Cheguei a duas conclusões logo de início: sou mal educada e sedentária.

Depois dessas conclusões resolvi enfrentar a selva de pedra e percorrer diversas regiões da cidade atravessando exatas 15 faixas e a partir daí meu comportamento no trânsito mudou.

Somente para esclarecimentos, em todas as faixas esperei abrir o sinal ou aumentar o fluxo de carros para atravessar, afinal era um teste para descobrir os lugares mais críticos para os pedestres.

Algumas constatações pessoais: existem pessoas muito legais ou muito chatas, não existe meio termo; paciência é um substantivo que falta no trânsito (não só no londrinense); algumas pessoas se incomodam e outras se interessam quando você tira foto da faixa; buzinar para mulher é nojento; falar no celular e dirigir é mais comum do que imaginamos.

Dadas as considerações pessoais, vamos ao que interessa.

Wilston Churchill

Eu moro na Zona Norte de Londrina, um pouco depois do Estádio do Café, então foi por lá que comecei minha maratona de travessias. Na avenida Wilston Churchill tem uma faixa simples (um pouquinho apagada) depois do Estádio do Café. Em dia de jogo os fiscais da CMTU ajudam os torcedores a atravessarem, porém, em dias normais, é cada um por si. O movimento ali é grande e só tem sinaleiro de um lado da via, do lado sinaleiro, apesar das placas, os motoristas não param e eu demorei vários minutos até conseguir atravessar.

Sinalização:  Motoristas:

 

Henrique Mansano

A segunda aventura foi em frente ao estádio na avenida Henrique Mansano, um local onde o movimento depende muito do horário. Lá a faixa é bicolor e tem o novo slogan da CMTU, “olhe e sinalize” com o desenho de uma mãozinha ao lado. Enquanto eu ainda tirava fotos antes de tentar atravessar, levei a primeira cantada em forma de buzina do dia e constatei que além de não respeitarem a faixa, também não respeitam as mulheres. Confesso que depois dessa falta de respeito, não esperei dar um pico de movimento e atravessei assim que o único carro que estava trafegando na via parou para mim.

Sinalização:  Motoristas:

 

Saul Elkind

A Avenida Saul Elkind é a mais famosa e movimentada da Zona Norte, ao longo dela tem faixa elevada, faixa simples, sinaleiro e na, frente do Muffato, a botoeira para pedestres. O local é bem sinalizado, duas placas chamam a atenção com os seguintes dizeres: “ATENÇÃO para atravessar a pista ACIONE A BOTEIRA e aguarde” e em cima do botão tem “PEDESTRE, aperte o botão e aguarde”. Quando o pedestre faz o que a placa pede, o sinaleiro cumpre o ciclo do verde e depois fecha nos dois lados da avenida para que os pedestres possam atravessar e logo em seguida volta a abrir para o trânsito fluir. A conclusão aqui é: as botoeiras realmente funcionam.

Sinalização:  Motoristas: 

 

Tiradentes

A quarta parada na Av. Tiradentes e o local fica a aproximadamente 300 metros do cruzamento com a Rio Branco. Não é uma faixa vermelha nem elevada, mas é bem sinalizada, tem rampa para deficientes físicos, piso tátil e placas, a única coisa que não tem é respeito. Todos os pedestres que atravessaram a avenida no período em que fiquei ali o fizeram fora do local destinado a eles e na diagonal. Quando o único pedestre, no caso eu, resolveu atravessar na faixa, todos os motoristas pararam, inclusive os que estavam falando no celular.

Sinalização:  Motoristas: 

 

Maringá

Segui em direção à Avenida Maringá no cruzamento com a Rua Astorga, em frente a A. Yoshii. Naquele local o sinal de pedestres nunca fica verde, a não ser que a botoeira (igual a Saul Elkind) seja acionada. Enquanto estávamos lá, uma senhora fez todo o processo, apertou, esperou o sinal de veículos fechar e o de pedestres abrir e atravessou. Porém, se ela tivesse demorado um pouquinho mais para atravessar, não daria tempo. Os segundos que o verde fica aberto passam rápido para quem tem dificuldade de locomoção.

Sinalização:  Motoristas: 

 

 Ayrton Senna

A Ayrton Senna é a principal ligação entre o centro e a Gleba Palhano, um lugar que, na teoria, é mais frequentado pela população com alto poder aquisitivo, boa educação, que respeita o transito e principalmente os pedestres. Pois é, só na teoria mesmo. Nos poucos minutos que fiquei tirando foto já deu pra perceber que não seria fácil, os carros passavam em alta velocidade e vez ou outra alguém parava para os pedestres. Quando me preparava para atravessar quase vi o primeiro acidente, que no caso seria o meu atropelamento. No sentido shopping-Igapó, o único motorista que me esperou passar percebeu que nenhum outro o um carro iria parar, então ligou o pisca alerta e fez gestos com a mão para sinalizar que tinha pedestre na faixa, cinco carros depois, uma senhora passaram me deixou terminar de atravessar.

Sinalização:  Motoristas:

Essa senhora que me ajudou a passar se chama Adalgiza, 61 anos, e assim que atravessei a faixa ela encostou o carro e disse “pedestre não tem vez aqui, querida, infelizmente ninguém para”. Então questionei, a senhora sempre para? Ela disse: claro! Não me custa nada perder um minuto do dia esperando mas pode custar a vida para alguém que se arrisca a atravessar correndo”. Acenou e foi embora.

 

Madre Leônia

Seguindo em direção ao centro, passamos pela Av. Madre Leônia, entre a igreja e o banco a faixa vermelha fica consideravelmente longe do balão, assim os motoristas tem tempo para sinalizar e parar sem correr o risco de causar um acidente. O único problema lá, é que as faixas não são em linha reta, então os pedestres atravessam uma via na faixa e a outra fora dela.

Sinalização:  Motoristas: 

 

Higienópolis

A parada seguinte foi na Av. Higienópolis, em frente ao posto Cotovelo, um cruzamento com quatro faixas de pedestres que não são respeitadas. Passei por lá um pouco depois das 14hrs, o movimento era grande e os motoristas além de não pararem para os pedestres, fechavam o cruzamento e esperavam em cima da faixa, ou seja, uma sucessão de infrações. Então falei para um dos motoristas: o senhor parou em cima da faixa e ele respondeu: ah, nem tinha visto. O trânsito fluiu e ele foi embora.

Sinalização:  Motoristas:

 

A esquina da rua Lapa e Gomes Carneiro fica próxima a Higienópolis e os acidentes ali são frequentes. Um deles aconteceu com Agnes Nunes, estudante, que foi atropelada quando atravessava a rua. Segundo ela, o motorista não deu seta e ela pensou que ele iria reto. “Ele não sinalizou e eu estava no ponto cego dele, ouvi uma buzina e quanto percebi o carro já estava em cima de mim, ele freou mas não conseguiu parar e acertou a lateral do meu corpo. O motorista parou para me ajudar, sinalizou o local e as pessoas que estavam lá perto chamaram o Siate”. Agnes ainda relata que enquanto esperava a ambulância, outro acidente aconteceu na mesma esquina. “Eu estava deitada esperando o socorro e o pessoal veio me contar que ali acontece acidente direto e dez minutos depois dois carros se envolveram em outro acidente, bem do meu lado”.

Quanto a educação no trânsito, ela critica. “As faixas são praticamente nulas para alguns motoristas naquele local, eles não dão seta, como no caso do meu acidente. Se ele tivesse sinalizado, acredito que nada teria acontecido” finaliza.

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JK

Uma das faixas mais respeitadas tanto por pedestres como por motoristas fica na Av. JK, em frente a um colégio particular. Justamente por causa desse colégio, a faixa ali é vermelha e bem sinalizada. Frequentemente ocorre fiscalização da CMTU, por isso, sempre que um pedestre segue em direção à faixa, os carros já começam a parar.

Sinalização:  Motoristas: 

O dia 17 de abril de 2015, às 8:30 da manhã, tinha tudo para ser mais um dia normal de aula para a estudante de psicologia, Giovanna Lacôrte Basílio. Ao atravessar a avenida JK para chegar na instituição de ensino em que estuda, Giovanna foi atingida por um carro. “Eu desmaiei e quando acordei já estava na ambulância. Minha mãe estava do outro lado da avenida e viu tudo, ela disse que o motorista parou para ajudar e prestar socorro. Dei dois pontos na testa e um no cotovelo, além de alguns hematomas e dores pelo corpo” conta.

O local onde aconteceu o acidente não tem faixa de pedestres, somente alguns degraus no canteiro central da avenida para auxiliar os pedestres. “Com certeza ali na frente da Unifil deveria ter faixas de pedestres nos dois lados, porque é uma área onde tem muitos estudantes, é bem perigoso. Conheço outras pessoas que foram atropeladas no mesmo local que eu” afirma a estudante.

 

Pio Xll

Uma das últimas faixas pintadas na cidade em 2015 foram as do cruzamento entre a Pio XII e a Santos, mas mesmo assim continua sendo muito difícil atravessar ali. Os motoristas descem a Pio XII em alta velocidade e não respeitam a sinalização vermelha e as placas. Como os motoristas que trafegam pela Santos precisam parar no cruzamento, a travessia ali é menos complicada.

Sinalização:  Motoristas:

 

Rotatória Souza Naves

Para mim o pronto mais crítico de toda essa aventura foi a rotatória da rua Souza Naves com a Celso Garcia Cid. As faixas de pedestres são mal sinalizadas e próximas demais da rotatória, por isso as colisões traseiras ali são frequentes. É um local complicado tanto para pedestres quanto para motoristas e todo mundo leva buzinada.

A parte boa é a arte na faixa, todas são pintadas e atraem a atenção dos pedestres. É um respiro de calma e arte em meio ao caos.

Sinalização:  Motoristas:

 

Bandeirantes

A Av. Bandeirantes é movimentada durante todo o dia devido aos hospitais e clínicas concentradas naquela região. Lá a faixa é elevada vermelha e tem surtido efeito, a reação dos motoristas foi a mesma da JK, todos pararam antes mesmo dos pedestres chegarem na faixa.

Enquanto minha mãe tomava caldo de cana e eu tirava fotos, um senhor nos abordou questionando sobre o modelo da minha câmera e o porquê das fotos. Eu expliquei e ele disse: só toma cuidado, tem ocorrido muitos assaltos nessa região, aqui as pessoas só respeitam a faixa de pedestre e mais nada.

Guardei a câmera e minha mãe terminou sua bebida dentro do carro a caminho da próxima faixa.

Sinalização:  Motoristas: 

 

Duque de Caxias

Próximo dali, na Duque de Caxias, em frente a um colégio particular há uma faixa vermelha nos dois lados da avenida e devido ao movimento diário de estudantes, todos os motoristas param e esperam todos os pedestres atravessarem.

Enquanto eu tirava as fotos, a mulher que atravessava a rua com uma vassoura na mão me abordou. “Onde você vai colocar essas fotos? Estou com uma vassoura que não é meu meio de transporte (risos), se quiser eu atravesso de novo sem ela” brincou. Eu disse que não precisava, que tinha ficado, no mínimo, autêntico.

Atravessei a faixa para tirar fotos do outro lado e mais dois senhores que estavam dentro de uma camionete também me abordaram. “O que cê acha tá fazendo isso, menina?”. Respondi: sou jornalista e estou fazendo uma matéria. Eles retrucaram: você não pode sair por aí fazendo foto das pessoas. Respondi: fique tranquilo, o senhor não apareceu nas minhas fotos, mas vai aparecer na minha matéria, parabéns!

Atravessei de novo e fui embora.

Sinalização:  Motoristas: 

 

Santos Dumont

A penúltima parada foi na Avenida Santos Dumont, um pouco antes de chegar no balão com a JK. Assim como na Madre Leônia, a faixa é longe do balão e motoristas e pedestres respeitam seus respectivos locais e sinalizações.

Sinalização:  Motoristas: 

 

Dez de Dezembro

Por fim, a Dez de Dezembro em frente a rodoviária. A faixa ali já foi palco para acidentes envolvendo pedestres ou não, além de ter um trânsito caótico praticamente o dia todo por ligar diversas áreas da cidade. A faixa foi pintada de vermelho e transferida de lugar, agora está mais afastada da rotatória, o que dá mais segurança para pedestres e motorista. Naquele local, atravessei três vezes para ter certeza que um milagre havia acontecido e sim, em todas os motoristas pararam, independente do movimento.

Sinalização:  Motoristas: 

 

Andar pela Universidade Estadual de Londrina também pode ser uma aventura. Infrações de trânsito como alta velocidade, estacionamento em local proibido, buracos, faixas apagadas e falta de respeito aos pedestres ocorrem com frequência dentro do campus.

Pela universidade é possível encontrar diversas placas da campanha “Pé na Faixa” porém, segundo Dari de Oliveira Toginho, prefeito do campus, não há vínculo com a companhia. “Como o Campus Universitário é um espaço público com restrição ao acesso e à circulação, não há a fiscalização da CMTU, por ser um Órgão Municipal de Fiscalização de espaços públicos municipais sem restrição de acesso”.

Ainda segundo o prefeito, há o interesse em criar um vínculo entre CMTU e UEL. “Entramos em contato com a companhia de trânsito para verificar a possibilidade da elaboração de um convênio que permitiria, em um primeiro momento, a orientação e colaboração na melhoria do sistema de sinalização de trânsito. Quanto à fiscalização e aplicação de multas aos motoristas infratores, dependeria dos termos que estão sendo avaliados para o convênio e ainda da definição de nomes para a identificação das ruas do Campus” explica ele.

Os maiores problemas no campus são com velocidade e estacionamento irregular. “Temos observado que a comunidade universitária tem infringido com frequência as normas de transito, principalmente estacionamento irregular e excesso de velocidade. Estamos planejando uma campanha de conscientização e cobrança de responsabilidade da comunidade universitária no cumprimento das normas de transito dentro do Campus”, garante o prefeito.

Em 2015, foram registradas cinco ocorrências na universidade sem vítimas feridas com gravidade. “Podem ter ocorrido outros acidentes com pequenos danos materiais entre veículos, mas que não foram notificados para a Divisão de Segurança”, ele afirma.

É o caso de César Rezende, estudante de Jornalismo da UEL, que em março do ano passado sofreu um acidente na faixa que fica entre o Centro de Ciências Humanas (CCH), e o Restaurante Universitário (RU). “O motorista estava em alta velocidade e me atingiu de raspão e acabei caindo. Foi tudo muito rápido e não consegui anotar a placa nem o modelo do carro. O motorista foi embora sem prestar socorro” explica.

O estudante também conta que quando tem pedestres na faixa é comum os carros não pararem ou passarem muito perto. “Alguns até xingam os pedestres, como se estivéssemos atrapalhando” conclui.

Minha última parada foi justamente dentro da UEL, onde percorri três faixas onde costumo passar de carro e não obtive resultados muito diferentes dos encontrados pela cidade. Duas faixas dentro da universidade merecem destaque: em frente ao RU e em frente à PROGRAD. A primeira é vermelha e com placas de sinalização, a segunda é simples e tem um “devagar” escrito bem grande na rua, mas é como se não existissem.

Os estudantes que vão ao restaurante dependem um pouco da sorte, alguns carros param e outros não. No período em que fiquei ali, vi ônibus, carro, moto, até seguranças da própria universidade passarem sem parar, mas muita gente parou.

Já na PROGRAD, raramente alguém para. Nem a palavra “devagar” escrita em letras garrafais na rua nem os buracos impedem que os motoristas trafeguem em alta velocidade.

A faixa que liga o CECA e o CEFE foi eleita por mim a “faixa exemplo” por ter o ingrediente mais importante de toda essa mistura chamada transito, o respeito. É movimentada nos períodos de aula, geralmente manhã e noite, e o que mais me chamou a atenção é que os pedestres nem param, eles simplesmente atravessam porque sabem que os motoristas vão esperar. Foi o nível máximo de civilização e respeito que encontrei ao longo desse dia regado à sol, calor, faixas, buzinas, poluição, educação e a falta dela.

Londrina e a UEL seriam muito mais lindas se em cada esquina tivesse uma “faixa exemplo” como essa.

 

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