Esportes olímpicos sofrem com a falta de incentivo

Exemplo é o basquete que tenta recomeçar, depois de ter sido referência nacional; equipe é guiada por ex-atleta, hoje técnico e também administrador

MAT-adriano001Bruno Lopes, técnico da Unicesumar/APVE/LEC. Fotografia: Adriano Santiago

Reportagem: Adriano Santiago, 4º ano noturno
Edição: Danilo Brandão, 4º ano noturno

Todos os londrinenses, mesmos os que não gostam de futebol, conhecem o Londrina Esporte Clube, famoso também pelo apelido de “Tubarão”. O time é referência quando se trata de esporte na cidade e costuma receber grande atenção da mídia e grandes patrocínios de empresas públicas e privadas.

Mas, nesta mesma cidade, existem outros esportes que também necessitam de apoio. São esportes que sofrem para se manter, pois os patrocínios são quase todos captados pelo futebol, a paixão nacional. Londrina não difere em nada do restante do país, onde o futebol está em outro patamar em relação aos esportes olímpicos como basquete, handebol, vôlei entre outros.

É quase impossível comparar a estrutura dos clubes de futebol, com os clubes de outras modalidades. O exemplo mais gritante é o caso do Flamengo. Somados os patrocínios da camisa e as cotas televisivas, chegou ao montante de 269 milhões de reais em 2017. Até mesmo o time de basquete do rubro negro carioca sofre com a falta de apoio e não é difícil ler notícias de atrasos salariais.

Também contribui para a dificuldade dessas modalidades, a falta de divulgação na mídia, pois a maioria dos campeonatos são transmitidos em canais fechados o que gera menos interesse de patrocinadores.

Basquete

Londrina é reconhecida nacionalmente pelo time de basquete que movimentou a cidade na década de 1990 e início dos anos 2000. Milhares de pessoas se espremiam nas arquibancadas do ginásio Darcy Cortês, o “Moringão”, para acompanhar as partidas memoráveis contra os tradicionais times de Franca, Vasco da Gama e Flamengo. Os tempos de glória ficaram no passado e a crise financeira chegou ao clube.

O recomeço é guiado por Bruno Lopes, ex-atleta, hoje técnico e também administrador da equipe. Lopes pensa um projeto em longo prazo, começando desde a base e valorizando atletas locais.

Sobre o patrocínio, Lopes conta que é muito difícil viabilizar apoios, principalmente com empresas de Londrina, pois a cidade não tem a tradição de apoiar o esporte e, geralmente, os suportes chegam por meio de pessoas ligadas aos próprios atletas. Geralmente são patrocínios pontuais como alimentação, nutrição, academia e uniformes.

A prefeitura contribui via Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (FEIPE) e, apesar do valor ser considerado baixo, é importante para a manutenção da equipe. O técnico ressalta que a parceria selada com o LEC, no qual o basquete passou usar a marca do clube no uniforme, proporcionou maior visibilidade. Com isso, veio um patrocínio máster por meio de uma faculdade que está se instalando em Londrina.

“Eu prefiro vários patrocínios, o Londrina cede os uniformes e temos o apoio da Unicesumar, que nos tranquilizou, pois eles possuem um projeto de logo prazo e, assim, posso fazer planos mais ambiciosos”, diz Lopes. Ele afirma preferir apoio do setor privado.

“Dinheiro público é importante, mas é muito burocrático e pode acontecer de o dinheiro não chegar por causa da papelada. Tenho oito atletas profissionais atualmente e não posso sujar este projeto que está em reconstrução. Quero jogar a Liga Ouro (Liga de acesso à elite do basquete nacional) já em 2018 e em 2019 quero colocar a cidade novamente no Novo Basquete Brasil (NBB) que é equivalente à liga nacional.”

Handebol

Outro caso de sucesso, o handebol londrinense padeceu com o tempo. Na época áurea, a equipe comandada pelo técnico Giancarlo Ramirez disputava a liga nacional e enfrentava as equipes paulistas de igual para igual. O resultado não poderia ser outro, a equipe londrinense foi campeã nacional em duas oportunidades (2005 e 2008), além de quatro-vice-campeonatos (2004, 2006, 2007 e 2009).

Em 2009, As fronteiras do Brasil ficaram pequenas e a equipe também faturou o campeonato Pan-Americano. O ápice do clube foi no ano seguinte, quando a equipe representou o Brasil no mundial de clubes em Doha, no Catar. Enfrentando equipes da Espanha e Egito na primeira fase. Infelizmente, a classificação não veio e a equipe terminou na quinta colocação.

MAT-adriano002Giancarlos Ramirez, técnico do Unicesumar/MRV/Londrina. Fotografia: Handebol Londrina, Facebook.

Após 15 anos de sucesso, em 2013, a equipe sofreu um corte nas verbas vindas do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe) e também não conseguiu angariar novos patrocínios privados, causando a paralisação das atividades e o pedido de licença junto a Liga Nacional.

Passaram-se dois anos, Ramires foi convidado a levar o time para outra cidade, que ofereceu o apoio negado em Londrina, mas as raízes não deixaram a ideia se desenvolver, até que, no ano de 2015, o projeto foi retomado. “Tenho 20 atletas, 10 profissionais. O apoio vem de clínicas de fisioterapia, academia, alimentação, da Rádio e agora da Unicesumar e da Construtora MRV”, elenca o técnico.

Ramires diz que o apoio é escasso e o Feipe é um “porto seguro” para a equipe. “Esse dinheiro é muito importante, ele é uma certeza de continuidade da equipe. Se algum patrocinador sai, fazemos os cortes, mas o projeto segue com o dinheiro do Feipe.”

Leia também:
Feipe 2017 tem 54 projetos concorrentes

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s