O grafite pelas ruas de Londrina

Onde surgiu e o que representa essa arte de rua que vem ganhando, cada vez mais, espaço no meio londrinense

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Grafite na Avenida Celso Garcia Cid, em Londrina. Fotografia: Caroline Marinho.

Reportagem: Caroline Marinho, 4º ano matutino
Edição: Gabriela Campos, 4º ano matutino

Ao andar por Londrina é possível observar diversos desenhos em muros. Essas representações artísticas são chamadas de grafite. O grafite como forma de manifestação artística em espaços públicos nasceu nos Estados Unidos nos anos 1970, época em que os jovens deixavam suas marcas pelas paredes. Essas intervenções evoluíram e ganharam técnica.

Talvez o local de maior referência do grafite em Londrina seja o muro do cemitério São Pedro, que fica na região central da cidade. A parede do cemitério entre as ruas Rio de Janeiro e a Alagoas é totalmente coberta por desenhos de diversos artistas. As outras paredes do local, que foram pintadas de azul há algum tempo já apresentam pichações em alguns pontos.

Várias pessoas têm dúvidas se os desenhos espalhados pela cidade são feitos com autorização dos donos dos locais. O grafiteiro Huggo Rocha explica que na maioria das vezes há sim a autorização, mas em alguns casos o grafite é feito sem permissão. “Tem algumas paredes muito velhas ou abandonadas, então eu só chego e faço o meu trabalho e dou uma nova vida ao lugar”, conta Rocha.

Ela também ressalta que a população tem uma boa resposta aos trabalhos dos grafiteiros, contudo, já com o poder público, a história não se repete. “É bem difícil seguir a profissão, não tem incentivo público algum. A população apoia. Sempre que estamos fazendo algum trabalho, a galera se oferece pra comprar um refrigerante e bastante gente elogia”, lembra Huggo.

O aposentado José Carlos Andréas, de 73 anos, está entre as pessoas que enaltecem o trabalho dos grafiteiros. “Eu acho muito legal, às vezes eu estou andando e vejo as pinturas. Fico observando e pensando como tem pessoas com talento, principalmente, quando fazem rostos humanos. Parece fotografia”, elogia José.

No entanto, o grafite é tido para muitos como sinônimo de pichação. Legalmente falando, as duas manifestações são bem diferentes, uma vez que o grafite – com a devida autorização – é permitido, enquanto a pichação é considerada crime.

Todavia, ambos surgem nas ruas e o material usado é o mesmo, porém, a imagem que o grafite passa é algo agradável, que envolve beleza, enquanto a pichação não traz isso ao observador, uma vez que, em geral são marcas, por vezes, inteligíveis para a maior parte da população.

A resistência a esse tipo de manifestação é grande. Quando Huggo Rocha é questionado sobre a diferença entre grafite e pichação, sua resposta é bem categórica. “Para mim não tem diferença, eu estava na rua grafitando, a polícia veio e aprendeu todo meu material e ainda me bateu falando que eu era pichador. Quem sou para rebater um monte de cara com arma na cintura? Fiquei quieto e entreguei o material, então eu não vejo diferença”, conta Rocha.

Nascido e criado em Londrina, Rocha conta que já fez diversos trabalhos em outras cidades, mas somente em Londrina teve esse problema com a polícia. Mesmo com esse tipo de repressão do poder público, o número de locais grafitados em Londrina vem aumentando e o grafite persistindo na sua intenção de resistência por meio de arte nas ruas.

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Parede grafitada do Cemitério São Pedro, em Londrina. Fotografia: Caroline Marinho.
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Parte do muro do Cemitério São Pedro grafitado e parte coberta de azul. Fotografia: Caroline Marinho.

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