Produção de alimentos vai além dos orgânicos

Modalidade agroflorestal exige dos produtores uma nova forma de se relacionar com o meio ambiente; técnica prevê verduras, legumes e árvores frutíferas no mesmo espaço

MarianaFoto1Procura por produtos orgânicos tem aumentado entre os consumidores. Fotografia: Marina Gallo.

Reportagem: Marina Gallo, 4º ano matutino
Edição: Gabriela Campos, 4º ano matutino

Cresce a procura por uma vida mais saudável que acompanhe o ritmo da rotina. Consumir menos produtos industrializados e, consequentemente, comer melhor. A escolha dos alimentos também faz diferença na opção da alimentação. Optar por um produto comprado na feira, mais fresco do que de supermercado, ou ainda, alimento orgânico direto do produtor.

A agricultura orgânica não diz respeito somente à não utilização de agrotóxicos, mas também com a relação da sua produção e o meio ambiente. É necessário que cada semente plantada se relacione com o meio que se encontra. Desde o solo à biodiversidade do local, todos os fatores que envolvem o meio são levados em consideração quando a intenção é uma produção orgânica.

A terra é pouco manipulada para evitar possível erosão ou compactação do solo. O uso de adubo é permitido, desde que seja natural e registrado por órgãos federais. Segundo o Sebrae, existem mais de 15 mil propriedades certificadas como produtos orgânicos e cerca de 75% destes produtores são agricultores familiares.

Em Londrina há 11 famílias produtoras de alimentos orgânicos, duas delas são adeptas da prática agroflorestal. O design gráfico Eduardo Carriça é um dos produtores e trouxe a modalidade a Londrina. O conceito de agrofloresta passa pelo cultivo de vários tipos de plantas, frutíferas, verduras e legumes, em um mesmo espaço, cercado por árvores maiores, que podem ser castanheiras ou eucaliptos, por exemplo. Carriça explica um pouco sobre seu processo de produção, nesta modalidade.

 

Antes de começar com a agroflorestal, a esposa de Carriça, Gabriela Scolari, já cultivava produtos orgânicos desde 2011 e ele a auxiliava na colheita. Quando Gabriela ficou grávida, Carriça precisou aumentar sua participação. Ele já planejava fazer a agroflorestal e, então, foi a Brasília realizar um curso sobre a técnica e percebeu que a agroflorestal é algo que se relaciona com o meio, além de ser muito mais produtivo.

 

São 4mil metros de produção, 29 mil metros de plantio. O objetivo é ter toda área fértil como agrofloresta, mas para isso, há dificuldades que precisam ser superadas. Carriça afirma que essas dificuldades vão desde o planejamento dos canteiros até o cultivo “consorciado” de várias hortaliças em um mesmo espaço.

 

Carriça acredita em umaaumento do mercado consumidor, mas ressalta que “as pessoas deveriam pensar mais no que estão comendo. Pessoas têm de voltar a cozinhar, consumir menos industrializados.”

O agrônomo Antonio Carlos Mendes Parra Filho também é um praticante da produção agroflorestal. Ele e sua esposa, Michelle Farias de Oliveira, também formada em agronomia, cultivam os alimentos orgânicos em 2.500 metros quadrados e esperam chegar à 4 mil metros quadrados. A modalidade agroflorestal começou como atividade complementar à produção orgânica. Michelle afirma que na agroflorestal não é usado nenhum tipo de insumo.

 

Desde quando estudavam na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antonio Carlos e Michelle, se envolveram com produção orgânica. Na universidade, não havia projeto relacionado à produção orgânica, mas um grupo de amigos começou a debater o assunto. Segundo ela, algum tempo depois, um espaço na fazenda escola foi disponibilizado para realizar o projeto de produção orgânica e, depois, uma disciplina foi inserida na grade do curso.

Michelle de Oliveira diz que a procura por produtos orgânicos em Londrina tem aumentado bastante. Ela afirma que esse fato é animador para os produtores já que, para ela, o perfil de quem consome produto orgânico de supermercado é diferente daquele que procura diretamente o produtor.

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