Profissões antigas resistem ao tempo

O fotógrafo lambe-lambe adaptou-se ao meio digital, mas o consertador de máquina de escrever não precisou se atualizar

Mat-raimundo2Messias Bezerra, o falso “lambe-lambe”: faturamento de 48 reais por dia. Fotografia: Raimundo Nogueira.

Reportagem: Raimundo Nogueira, 4º ano matutino
Edição: Gabriela Campos, 4º ano matutino

Com poucos dentes na boca e muita história pra contar, Messias Bezerra, 70 anos, profissão “lambe-lambe”, recebe a reportagem com imensa generosidade. Seu Messias é um herói da resistência. Vítima da evolução tecnológica, ele tenta se reinventar para se adaptar à evolução tecnológica.

Messias veio de Pernambuco com 6 anos de idade. Começou a trabalhar desde então, “barrendo tronco de café”. Levantava às 4 horas da manhã para o serviço, hábito que conserva até hoje.

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Há 52 anos trabalha como fotógrafo “lambe-lambe” no centro de Londrina. Já fez muita cobertura de casamento, batizado e festa de aniversário. Mas isso tudo acabou.  “Depois que entrou o digital, agora um celularzinho ou uma até caneta está fazendo foto”, afirma Bezerra.

Museu do escritório

Gervásio Falconelli Gonzalez Vasquez, o “Seu Ninho”, nem precisou atualizar-se muito. Faz até hoje o que apreendeu durante a juventude: conserta máquinas de escrever mecânicas, elétricas e eletrônicas, máquinas de somar, calculadoras, relógios de ponto e outros objetos não identificáveis por leitores com menos de 40 anos.

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Paraguaio de nascimento, ele chegou ao Brasil em 1952 e, em Londrina, três anos mais tarde. Trabalhando duro no conserto, manutenção, compra e venda de máquinas – principalmente – de datilografia, Gervásio chegou a ter como clientes várias empresas da cidade. Uma delas era o Banco do Brasil, que possuía 72 máquinas sob a responsabilidade da oficina, mas havia muitos clientes particulares também. “Quem tinha máquina em casa, caía aqui”, diz, orgulhoso.

Exclusivo

Noboru Kato tem 79 anos e é vulcanizador de pneus. E como isso funciona? Tudo começa quando o motorista quando em um buraco e corta o pneu novo do veículo. Na oficina, Kato põe o pneu numa das máquinas que ele mesmo construiu. No dia seguinte o pneu está novo. O serviço custa de R$ 80,00 a R$ 100,00.

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