Halterofilismo para atletas com deficiência

Desde 2008, projeto da Associação Esporte Atitude beneficia atletas paralímpicos de toda a região metropolitana de Londrina

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Projeto é incentivo à prática esportiva dos atletas paralímpicos de Londrina e Região. Fotografia: Guilherme Oliveira.

Reportagem: Guilherme Oliveira, 4° ano noturno
Edição: Brenda de Oliveira, 4° ano noturno

Existem poucos lugares em que atletas com deficiência podem praticar esportes. O projeto realizado no Centro de Educação Física e Esporte (CEFE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), com a Equipe de Halterofilismo Londrina, é uma importante alternativa que visa incentivar a prática esportiva de pessoas com deficiência.

O programa é oferecido pela Associação Esporte Atitude de Londrina, totalmente gratuito e aberto à comunidade. São desenvolvidos treinos adaptados para as necessidades de cada aluno, que são incentivados a participar de diversas competições regionais.

Para isso, a própria associação organiza as viagens, transporta os atletas para as pesagens, faz as inscrições em competições, entre outras atividades. Apesar disso, não há nenhum problema nos casos em que o aluno deseje apenas treinar por questão de saúde sem competir.

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A técnica Vanessa de Oliveira destaca como é gratificante assistir as conquistas de seus alunos. Fotografia: Guilherme Oliveira.

“Há os atletas que gostam de praticar para a competição e outros que preferem só malhar o corpo, mas estes também passam algumas horas agradáveis de lazer aqui, conversando e trocando experiências com o pessoal. Essa é uma forma do deficiente sair de casa, outra porta se abre para ele”, afirma o auxiliar técnico Carlos Roberto Vitorino

A técnica Vanessa de Oliveira entrou no projeto como auxiliar no início, em 2008. Hoje está no comando desde 2011. Ela ressalta a importância de iniciativas como esta. “É bem diferente do que a gente está acostumada a trabalhar, fora que é muito gratificante ver o desenvolvimento deles, a evolução e as conquistas”, conta.

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O atleta Cézar Augusto vem de Jataizinho e não perde um treino. Fotografia: Guilherme Oliveira.

O atleta Cézar Augusto, de Jaitaizinho, afirma que o projeto oferece maior facilidade para a prática de esporte. “É por isso que eu venho para cá. Como eu moro em uma cidade pequena, as academias não são tão grandes. Os corredores são pequenos e não dá para passar com a cadeira de rodas. Aqui é tudo mais fácil. Quando eu vi uma postagem deles no Facebook, resolvi participar”, diz o atleta, que conseguiu da Prefeitura de Jataizinho o transporte para os dias de treino.

Augusto conta que foi a participação na equipe de halterofilismo que despertou seu gosto pelas competições. “Antes do acidente eu nadava, corria e fazia academia, mas só por saúde mesmo, nada sério. Agora eu sou um atleta profissional”, afirma.

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Para o atleta Rogério Garcia, o projeto foi fundamental para a recuperação do trauma causado pelo acidente. Fotografia: Guilherme Oliveira.

Rógerio Garcia diz que o maior benefício foi proporcionar retornar à vida social após o acidente de carro que acarretou em uma lesão na sua coluna. Ao fazer parte da equipe, o atleta encontrou outras pessoas que enfrentam os mesmos problemas e adquiriu confiança para deixar o isolamento. “Antes do projeto eu nem mesmo saía de casa porque tinha vergonha de estar em uma cadeira de rodas. Aqui, fui conhecendo os meninos e trocando experiências. Hoje, sou bem independente, saio e não tenho mais vergonha.”

Problemas de Patrocínio

Carlos Roberto Vitorino, auxiliar técnico da equipe há quatro anos, fala sobre as formas de financiamento do projeto. “Além da UEL, que nos ajuda cedendo o espaço, temos o patrocínio da Extreme Fit e da Superfit, empresas locais do ramo de suplementos. Da prefeitura, temos a verba recebida através do envio de projetos para a Fundação de Esportes de Londrina (FEL), no período em que abrem as inscrições.”

Apesar disso, Vitorino destaca que o apoio ainda é pequeno. “Em muitas competições deste ano, não tivemos verba para participar, mas sempre tentamos dar um jeito fazendo rifas, bingo e pedindo a colaboração dos amigos. Qualquer empresário interessado em ajudar, pode entrar em contato comigo ou com a Vanessa.”

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Carlos Roberto Vitorino, auxiliar técnico da equipe há quatro anos. Fotografia: Guilherme Oliveira.

O auxiliar diz acreditar que o sistema de funcionamento do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (FEIPE), administrado pela FEL, é falho. “Algo que eu vejo como um erro, é que eles deveriam abrir o edital já em outubro e novembro, mas demoram muito. Há competições de diversos clubes que começam em janeiro e fevereiro. Assim, se torna uma grande dificuldade nós participarmos delas”, critica.

Serviço
Os treinos ocorrem de segunda, quarta e sexta, das 14h às 16h, no CEFE. Os interessados em participar ou contribuir com a equipe de halterofilismo podem entrar em contato pelo telefone (43) 99955-0609 ou pela página do projeto no Facebook.

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