Feira reúne produtos do MST

Juntamente com produção do movimento, foi realizada a III Mostra Marl (Movimento dos Artistas de Rua de Londrina)

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Feirão de produtos da reforma agrária. Fotografia: Caroline Marinho.
Reportagem: Caroline Marinho, 4º ano matutino
Edição: Alanis Brito, 4º ano matutino

Oferecer e comercializar produtos da reforma agrária e mostrar o trabalho de artistas de rua de Londrina. Este foi o objetivo do I Feirão de Resistência e da Reforma Agrária e da III Mostra Marl, do Movimento dos Artistas de Rua de Londrina. Os eventos foram realizados na semana passada, mas prometem virar tradição, no Canto do Marl, na avenida Duque de Caxias, nº 3.241.

No local era possível encontrar produtos agropecuários produzidos em sete assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de artesanato, livros e barraquinhas de diversos tipos de comida. Já no domingo, as atividades começaram com uma oficina de fotografia e o evento foi encerrado com a exibição do curta “Toda construção nasce de uma planta” e de um bate papo sobre cinema de rua, poético e popular.

A jornalista Marina Lacerda, da organização do evento, conta como surgiu a ideia de unir a mostra cultural ao feirão de resistência. “A ideia veio em uma conversa entre dois professores da UEL, em tentar trazer essa produção do campo para a cidade sem a intermediação de um mercado ou empresa grande. Como o nome já diz é um feirão de resistência e o principal motivo de estarmos aqui é a resistência, tanto do MST pela disputa de terra, a concretização dos assentamentos e da reforma agrária.”

Lacerda diz que ficou bem feliz com a resposta do público. “Veio bastante gente, alcançou as expectativas e não só gente do movimento. Tem pessoas que passam na rua e vem olhar ou gente que viu divulgação pela internet”, comenta a jornalista.

Fagner Bruno de Souza faz parte do Núcleo de Comunicação do MARL e participou das três mostras culturais, realizadas pelo movimento de artistas. Nesta edição, ele ressalta a importância da participação do MST. “Eu vejo como principal objetivo da feira o contraponto da produção orgânica, que se distancia da produção que mais temos contato, que faz uso de agrotóxico, transgênico e isso seria uma resistência como produção alternativa, pensando na saúde.”

Os produtos ofertados pelos assentamentos parecem ter agradado ao público. A dona de casa Maria Adelaide diz que ficou surpresa com os valores. “Comprei várias verduras. Literalmente fiz a feira, achava que seria bem mais caro. Geralmente as coisas consideradas saudáveis são mais caras, mas aqui não. Espero que tenham mais feiras assim e de quebra a gente ainda escuta uma música.”

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Produtos produzidos em assentamentos do MST. Fotografia: Caroline Marinho.

A articulista do MARL e estudante de Artes Cênicas Dayane Anhaia ressalta, também, a qualidade e o preço dos produtos. “Estou vendo na feira coisas super baratas e orgânicas, sem comparação com produtos industriais”, afirma. “Para mim esse evento (mostra cultural) essa vinculação, o afeto com o MST e a reforma (agrária) simboliza muita resistência. É o que a gente está fazendo desde o dia que pisamos aqui”,

Ela diz que não é fácil manter o movimento na atual conjuntura política e social. “Tem muita coisa ruim acontecendo, mas não desistimos e tem muita coisa boa vindo por aí que vai render muitos frutos e mais parcerias. Acredito em um mundo assim coletivo, que possa haver troca com o ambiente e com as pessoas.”

Valéria Barreiros, professora de Psicologia, ligada ao movimento dos artistas de rua, explica que a mostra cultural é uma forma de mostrar à sociedade o que está sendo produzido pelo movimento. Ela ressalta também a parceria com o MST. “A gente juntou essa galera, fez reuniões com coletivos do MST e lideranças indígenas para pensar essa feira. Fomos produzindo, fomos fazendo a mão mesmo as bancadas para exibição dos produtos.”

Sobre a ocupação do espaço onde foram realizados os eventos, a proposta é dar vida ao local. “O espaço pertenceu à ULES (União Londrinense dos Estudantes Secundaristas). Depois foi alugado pela prefeitura por um tempo e o movimento dos artistas de rua começou a se mobilizar para identificar espaços públicos ociosos. A gente mapeou alguns espaços pressionando a Secretaria de Cultura que não se moveu nesse sentido. Então começou a ser discutida a ocupação e dia 27 de junho fará um ano que o espaço foi ocupado.”

A professora conta que existem 16 coletivos fixos que participam do movimento de artistas de rua e que, pelo menos, uma vez na semana algum grupo promove atividades no local.

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