UEL é ponto de abandono de animais

Apesar de ser crime passível de detenção, o abandono de animais é rotina na universidade; seguranças quando flagram encaminham os casos para a delegacia

Reportagem: Danieli de Souza, 4º ano matutino
Edição: Alanis Brito, 4º ano matutino

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Animais abandonados encontraram abrigo e carinho em posto de vigilância dentro do campus da UEL. Fotografia: Danieli de Souza.

Apesar das placas de sinalização e das constantes campanhas de combate ao desamparo de animais de estimação, todos os dias, ao menos um carro é visto abandonando animais domésticos na Universidade Estadual de Londrina (UEL). De acordo com Wellington Vitorelli, segurança do campus, nem mesmo as câmeras inibem a prática, apesar de terem ajudado na redução do crime.

 

“Algumas vezes conseguimos flagrar o exato momento do abandono pelas câmeras e assim encaminhar essas pessoas para a delegacia ou mesmo tentar, por meio da conversa, convencê-los a levar seu animalzinho de volta para a casa.” Vitorelli ressalta que, infelizmente, muitos animais acabam sendo atropelados pelas ruas do campus. “Aqui é um lugar de movimentação intensa e, por conta das árvores, temos muitos pontos com pouca iluminação. É perigoso demais esses bichinhos sozinhos andando por aqui.”

Indo na contramão dessa prática, dentro da UEL existem pessoas de braços abertos para acolher e ajudar os animais. Uma delas é Dayse de Azevedo, ex-funcionária da universidade que, duas vezes ao dia, traz alimentos para os bichinhos que conseguiu reunir em um dos postos de segurança do campus. “É impossível não se comover com essas criaturinhas. Quando eles me olham com esses olhinhos brilhantes e cheios de amor para dar, não consigo virar as costas.”

Segundo ela, no começo cuidava apenas de dois cachorros, mas hoje em dia esse número triplicou. “A gente vê cães e gatos sujos, famintos e doentes todos os dias pelas ruas, vivendo ao relento, passando frio e morrendo. O que eu tento fazer é aliviar um pouco tudo isso.”.

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Nem mesmo as placas de alerta inibem o abandono. Fotografia: Danieli de Souza.

No entanto, a situação é tão grave que esse tipo de abandono não é exclusividade de lugares abertos como a UEL. O problema é enfrentado, também, por clínicas veterinárias. Os pets ou animais de estimação que são levados para tratamentos mais graves, com um custo mais elevado são, em sua maioria, “esquecidos” pelos donos. O destino desses bichinhos depende da sorte. Alguns são adotados e tratados, outros acabam sendo sacrificados.

Patrícia Morenno, professora e médica veterinária, conta que a maioria dos abandonos acontece no fim do ano, em período de férias. “As famílias saem para viajar e, quando não podem levar ou não encontram quem cuide, acabam se livrando de seus animais de estimação. É uma atitude irresponsável, além de muito triste”, lamenta.

A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Artigo 164 do Código Penal, que considera crime de abandono de animais “aqueles que introduzirem ou deixarem animais em propriedade alheia, sem consentimento do proprietário”. Márcio Ilkiu, investigador chefe da 10ª Divisão Policial de Londrina, informa que a pena prevista pela lei é de detenção, de 15 dias a seis meses ou multa. Porém, poucos casos têm chegado à justiça. “Muitas vezes, as pessoas têm medo de serem descobertas e sofrerem algum tipo de retaliação por terem feito a denúncia. Então raramente chega ao nosso conhecimento a prática desse tipo de crime.”

O praticante que for denunciado pode ser enquadrado também pela lei Federal 9.605/98 – dos Crimes Ambientais. Criada para punir, além do abandono, os maus tratos praticados contra animais domésticos e silvestres. A lei determina que “praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, pode resultar em detenção, de três meses a um ano, e multa”.

Essa mesma pena é prevista para quem realiza experiências dolorosas ou cruéis em animais vivos, mesmo para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. A pena ainda é aumentada de um sexto a um terço, se ocorrer a morte do animal.

Associação resgata animais abandonados

Hoje, em Londrina, existem diversas ONGs de proteção e apoio para animais abandonados. Entre elas, a Associação Defensora dos Animais (ADA), que resgata e cuida de cães e gatos desamparados para, no futuro, repassá-los para pessoas que possam lhes dar um lar.

A ADA realiza, todos os meses, feiras de adoção em vários pontos da cidade e, segundo a presidente da entidade, Anne Moraes, cada vez mais, têm aparecido pessoas interessadas em fazer a adoção consciente. “As redes sociais têm nos ajudado muito na divulgação das feirinhas e dos animais resgatados. Isso facilita e muito o nosso trabalho”

A associação sobrevive com apoio de doações particulares e, no momento, está passando por problemas financeiros. Para quem tem interesse em ajudar, a ADA aceita doações de todos os tipos, desde dinheiro, ração, até material de limpeza. Para doar, entre em contato através do número (43) 3344-4100.

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