Falta de funcionários na COU chega a 40%

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” Artigo nº 196 da Constituição Federal de 1988.

Reportagem: Lucas Matheus, 4º ano noturno
Edição: Jéssica Doarte, 4º ano noturno

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Marcos Tadeu de Oliveira, estudante de Odontologia. “Quando você vê que fez alguma coisa boa para alguém, é bem legal” Fotografia: Lucas Matheus.

Gleidel Rodrigues de Souza, 62 anos, trabalhador da construção civil, prefere aguardar ao lado da pequena televisão instalada na sala de recepção da Clínica Odontológica Universitária (COU). Ele espera para ser atendido na continuidade do tratamento de periodontia e restauração, com os atendentes da clínica. “Eu sou sempre bem atendido e o tratamento é sem custo nenhum”, afirma.

O operário explica que aproveita os serviços oferecidos, gratuitamente, pela UEL, principalmente, na área da saúde. “Eu tenho problema de visão e lá no HC (Hospital de Clínicas) fizeram a análise do meu caso e encaminharam para uma ótica do centro, que fez os óculos por R$ 280,00. Ainda pude parcelar, o que ficou bom”, conta Gleidel, que, trabalhando na limpeza de obras, ganha dois salários mínimos por mês.

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Gleidel Rodrigues de Souza, paciente da Clínica Odontológica. “Isto não pode parar não.” Fotografia: Lucas Matheus.

Adriana Solera, 31 anos, dona de casa, ao contrário de Gleidel, preferia acompanhar os programas de entretenimento matinal na TV, enquanto aguardava para ser atendida na Clínica Odontológica. Ela procurou o serviço para fazer atendimento geral e a instalação de uma prótese dentária fixa. Adriana diz que não teria condições de pagar em uma clínica particular. “Tenho, para sustentar minha família, em torno de R$ 1,5 mil do salário do meu esposo. Nem pensei em procurar uma clínica particular.”

Marcos Tadeu de Oliveira é estudante do 4º ano de Odontologia da UEL e, como futuro dentista, sabe da importância do cuidado com os dentes. Ele atende desde o 2º ano na COU, como parte das atividades curriculares do curso. “É simples. Aqui, a gente atende muitas pessoas carentes. Pessoas que vão em muitas clínicas e ninguém quer atende-las e a gente auxilia, com o suporte dos professores. Quando você vê que fez alguma coisa boa para alguém, é bem legal.”

Oliveira afirma que, em determinados dias, já deixou de atender por falta de anestesia ou pela chuva. “Tem muita coisa que falta. Na área da saúde é um pouco mais difícil faltar porque o cara (referindo-se ao governador) deve pensar um pouco, mas já faltou anestésico e, sem anestésico, não dá para atender. A situação é precária. Os equipamentos estão velhos. Quando chove, alaga e o local não tem condições de uso.”

 

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Adriana Solera procura atendimento para prótese fixa. “Nem pensei em procurar uma clínica particular. ” Fotografia: Lucas Matheus.

O diretor da clínica, professor José Roberto Pinto, explica que, anualmente, a COU executa cerca de 250 mil procedimentos, para um público de 16 a 20 mil pessoas. Segundo o relatório “UEL em Dados”, em 2016, foram atendidos cerca de 70 mil pacientes, em 62.916 atendimentos, e realizados mais de 193 mil procedimentos odontológicos.

O confisco de recursos afeta o atendimento diário de pacientes. “A Clínica sempre trabalha com uma provisão de materiais odontológicos e eles vencem. Para que não haja perdas, o nosso estoque é enxuto. Se permanecer um bloqueio muito longo, naturalmente vai afetar; prejudica o ensino e a extensão, que são as duas áreas ligadas à Clínica.”

Sobre a defasagem de profissionais, o diretor da COU explica que há uma defasagem que chega a 40% de profissionais técnico-administrativo. “Isso já tem afetado o atendimento. Por exemplo: o pronto socorro é uma área em que nós estamos sofrendo muito. O que houve? Aposentadoria, absenteísmo, doenças. Já estávamos trabalhando com poucos e parcos recursos humanos e a situação piorou”, diz.

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Professor José Roberto Pinto, diretor do COU. “Se permanecer um bloqueio muito longo, naturalmente vai afetar.” Fotografia: Lucas Matheus.

A construção da nova sede da Clínica, no campus da UEL, está na etapa final. O professor José Roberto confirma que a compra da última remessa de equipamentos necessários para a abertura foi autorizada na primeira semana de junho, através da Seti e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

“Neste ponto, não podemos reclamar. Tudo aquilo que foi acordado com o governo, foi cumprido. Nós ainda dependemos de pregões e licitações para finalizar.” A previsão otimista do diretor da COU é que a mudança da Clínica ocorrerá em agosto, durante as férias. O início das atividades, no começo do segundo semestre, planejado inicialmente para setembro.

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