Aceitar o próprio corpo traz autoestima

Elas decidiram ir contra o desespero de se encaixar nos padrões e aceitaram os próprios corpos

Reportagem: Maisa Carvalho, 4º ano matutino
Edição: Luana Harumi, 4º ano matutino

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Londrinenses compartilham histórias de auto aceitação. Montagem: Maisa Carvalho.

Contra tudo que é imposto e perpetuado no mercado da beleza, algumas mulheres conseguem manter uma relação saudável com seu corpo com muito amor próprio, mas não é um processo fácil ou comum. Stephanie Toshie, de 30 anos, já superou algumas questões, mas ainda está passando pelo processo de aceitação.

Toshie é mãe de quatro filhos e conta que seus problemas com a própria aparência começaram logo após o nascimento do segundo. “Eu era até mais gordinha, mas eu emagreci muito e meu peito secou, eu amamentei até não ter mais nada mesmo”, explica.

Segundo ela, o problema maior foi que, além da grande perda de peso e dos seios terem diminuído consideravelmente, seu parceiro da época e pai dos três primeiros filhos fazia comentários sobre como sua aparência mudara. “Ele ficava falando: ‘olha para você, não tem nada aí’”.

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Stephanie Toshie: autoestima abalada e reconstruída. Foto: Maisa Carvalho.

Após o fim do relacionamento, ela chegou a ficar paranoica com sua aparência, sua autoestima estava muito abalada após ouvir por muito tempo de seu companheiro que seu corpo era insuficiente. “Depois eu descobri traições e ficava me culpando. Ficava imaginando se era por causa da minha aparência.”

Stephanie conta que superou muita coisa, suas cicatrizes das cesarianas, a magreza extrema pós-gravidez, mas a questão dos seios ainda é o maior incômodo para ela. “É algo que tem que ser tratado dentro de mim, eu preciso resolver sozinha.”

A falta de confiança e segurança na própria aparência, já chegou a prejudicar relações amorosas e a vida sexual. “Eu não gostava nem de tirar a camiseta na hora de transar de tão mal que eu me sentia. Eu achava que se eu mostrasse meu corpo, ele ia sair correndo ou ficar horrorizado”, completa.

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A estudante de Design de Moda Hitomi Takahira. Foto: Rafaela Gil.

A estudante de Design de Moda da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Hitomi Takahira, de 21 anos, tem uma história um pouco diferente. Atualmente, ela mantém uma relação muito boa com o próprio corpo. “Claro que tem momentos – poucos mesmo – que não me sinto muito bem comigo, mas são tão poucos que não conto.”

Hitomi lembra que sempre ouviu da família sobre seu corpo, seu peso, mas ela não ligava muito quando mais nova, até que chegou a uma fase que realmente começou a afetá-la, o que a fez mudar muita coisa em sua vida para ter a aparência considerada ideal. “Ficava mal e só usava calça e camiseta. Nada de saia ou regata. Até hoje isso reflete em mim e odeio essas peças de roupa, mesmo hoje quando digo que me aceito do jeito que sou.”

Além disso, quando entrou para o cursinho preparatório, em 2013, ela passou a ficar obcecada em perder peso. “De 2013 a 2015 era um emagrece, engorda, emagrece, engorda. Já emagreci 16kg em três meses e meio depois voltou tudo. Depois, emagreci mais 11 em dois meses e meio e voltou tudo.”

Ela diz que nunca tomou remédio ou deixar de comer. “Porém eu admito que tinha uma época que parecia uma espécie de obsessão minha. Academia todo dia, sem ingerir gordura ou açúcar, carboidrato limitado só durante o dia. Esse tipo de coisa”, conta.

Depois de passar por todo esse processo, ela conta que foi em 2015 que tudo começou a mudar e começou seu processo de aceitação. “Tem muita coisa mais importante em jogo do que o modo como eu aparento. Comecei a aceitar de que sou gorda, sem ser algo visto como xingamento, mas como definição de palavra mesmo, que é quando tem gordura”, afirma ela.

A estudante afirma que quando passou a se aceitar, houve mudança até nos relacionamentos. “Quando aceitei melhor minha aparência até meu relacionamento com rapazes melhorou muito. Por antes eu não achar que era bonita o suficiente, acabei por acreditar que ninguém acharia isso. O que é completamente equivocado, pois cada um tem a sua beleza e isso que é lindo nas pessoas, essa diversidade maravilhosa.”

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A foto do desabafo da fotógrafa Lírica Aragão. Foto: Arquivo Pessoal.

A fotógrafa londrinense Lírica Aragão, de 27 anos, tem uma relação muito boa com seu corpo. Ela é ativista da causa e apoia as mulheres através de seu trabalho e suas redes sociais para que se aceitem. “Passei por relacionamentos, amigos e ex-namorados que sempre falavam que eu deveria emagrecer, que eu deveria me cuidar mais, que celulites e estrias eram algo horrível, que eu não deveria usar biquíni ou até mesmo roupas curtas”, conta a fotógrafa.

Ela afirma que ouviu coisas do tipo durante muito tempo. “Passei por alguns processos de não me aceitar, não aceitar como eu realmente sou: gorda. Perdi as contas de quantas vezes eu ouvia tudo isso e ia para o banheiro chorar, me trancava no quarto e, por muitas vezes, a depressão me pegava”, admite ela.

“Hoje, depois de anos, consigo ver que tudo isso, tudo que falavam eram cobranças, cobranças que a sociedade faz, que a maioria dos homens faz, que ‘amigos’ fazem. O processo para a aceitação não foi fácil, e hoje estou aqui para dizer que não existe algo mais gostoso do que se aceitar, de olhar no espelho e ver algo lindo, maravilho que realmente é você.”

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