Eliza Capai: culturas diferentes chocam

A documentarista Eliza Capai esteve na cidade, recentemente, para a exibição do seu filme “Resistência”

Reportagem: Caroline Marinho, 4º ano matutino
Edição: Luana Harumi, 4º ano matutino

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Eliza Capai durante Oficina na Rádio Alma. Foto: Caroline Marinho.

A jornalista, documentarista e midiativista Eliza Capai esteve em Londrina como convidada do Ciclo de Oficinas promovido pelo coletivo Alma Londrina. O evento teve início na quinta-feira (22), no espaço SESI-AML, com a exibição do documentário “Resistência” sobre as ocupações realizadas em 2016 em consequência do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff – e dirigido por Capai.

 

Após a exibição do filme, houve um bate-papo da diretora com os presentes. Na sexta-feira, a jornalista se encontrou com os integrantes do Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL) e, no sábado, o evento foi encerrado com a Oficina “Midiativismo e Movimentos Sociais a partir das experiências de Eliza Capai”, realizada na Vila Cultural Alma Rádio.

A oficina abriu com Daniel Ferreira, atual coordenador da rádio Alma, que falou sobre a importância da rádio promover eventos como esse. “Eu acho importante nós, como veículo de comunicação independente (se referindo a rádio Alma), promovermos esse tipo de encontro, realizar essas conexões entre todos os jornalistas que estão produzindo alguma coisa alternativa da mídia de massa… unidos a gente tem mais força”, diz. Durante a Oficina, Capai contou suas experiências de filmagens e produção em diversos cantos do mundo, mostrando trechos dos filmes e comentando momentos que mais a marcaram.

Nascida no Rio de Janeiro, a jornalista se mudou para Vitória, capital do Espírito Santo, aos 2 anos de idade, mas suas viagens não pararam por aí. “Eu assisti a um filme em que a mocinha comprava uma passagem para o lugar mais longe possível que pudesse chegar. Durante a faculdade de Jornalismo, eu guardava R$ 30 por mês e com esse dinheiro eu fiz exatamente a mesma coisa, comprei uma passagem para o lugar mais longe possível, fui parar em Manaus”, afirma.

“Lá, eu tirava fotos sobre coisas que achava interessantes e fazia matérias sobre esse assunto e vendia esse conteúdo… Fiquei surpresa quando percebi que com o dinheiro dessas matérias eu consegui pagar todos os custos da viagem, percebi que poderia viver disso.”

Capai logo começou a produzir documentários e a rodar pelo mundo. Segundo ela, uma de suas viagens mais marcantes foi para a República do Mali, um dos países mais pobres do continente africano. “Cheguei lá e várias crianças estavam ao meu redor, me chamavam de branca o tempo inteiro, eu percebi que havia uma criança menor que as outras. Ela estava olhando para mim e ia dando passos para trás e abaixando os olhos até que começou a chorar. Ela chorou de medo de mim”, conta a midiativista.

Segundo ela, ser objeto de medo de alguém foi uma das coisas mais difíceis pela qual passou. “Não pude deixar de fazer ligação de quando estamos andando no Brasil e um negro está perto de nós e instintivamente protegemos nossa bolsa. Como é para essas pessoas serem temidas”, compara.

A jornalista que trabalha com a questão cultural, lembra que é um choque se deparar com diferentes culturas. “Aos meus olhos de brasileira, a cultura de muitos povos é estranha, mas aos olhos de um estrangeiro que vem ao Brasil, nossa cultura pode causar estranheza também.”

Apesar de hoje ter uma carreira sólida, Capai diz que já teve seus momentos de crise com o trabalho. “Já cheguei a pensar: Por que eu não posso ter um emprego comum? Ir para a redação, ter um chefe chato, chegar em casa e reclamar dele?”, questiona em meio a risos, mas não existem dúvidas sobre o caminho que seguiu.

“Às vezes faço gravações em lugares muito feios, com histórias tristes, então eu vou para o lugar mais bonito para construir meu trabalho… vejo como é importante o momento de lazer e penso que convivo com muitas coisas ruins, mas tento fazer coisas boas e eu recebo por isso, por fazer o diferencial socialmente.”

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