Nosso rádio, minha raiz

O técnico de rádio João Lopes relembra juventude e construção pessoal

Reportagem: Danieli de Souza, 4º ano matutino
Edição: Luana Harumi, 4º ano matutino

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João Lopes, o “Lopão”. Foto: Danieli Souza.

João Lopes chega encabulado, meio sem jeito e vai logo dizendo que não está acostumado a falar para um gravador. “Eu gosto é de ficar aí do outro lado, escutando tudo, sem precisar dizer nada.” Ainda um tanto sem graça, pergunta o que eu quero saber, o que deve me falar, por onde será que deve começar. “Começa do começo, poxa. Me conta do Joãozinho antes de contar do Lopão”.

Sentamos. Ele começa a se soltar aos pouquinhos, conforme a mente corre em um saudoso retorno ao passado. Lembra-se de quando era menino, apenas ele, a mãe e os irmãos. Tempos difíceis, sem dúvida. Mas foi no meio disso tudo que surgiu o primeiro contato com o rádio.

Lopes fazia parte dos garotos da Guarda Mirim que, até hoje, é um espaço que propicia cursos e oportunidades de primeiro emprego a jovens e adolescentes. Foi de lá que saiu com uma pastinha na mão, sorriso nos lábios e mente cheia de sonhos, em busca de um lugar onde pudesse ser contratado. Passando próximo à Concha Acústica, recebeu a indicação de um lugar que precisava de um office boy: Rádio Paiquerê AM.

Lá se foram anos e anos de história, sempre de olho naquele objeto que até hoje faz seus olhos brilharem, o rádio. Foi na Paiquerê mesmo que Lopes teve a chance de aprender o ofício de técnico de programação. Oportunidade que agarrou com muito gosto. O único período que se lembra de ter vivido afastado das ondas sonoras foi quando serviu ao Exército. Passou dois anos longe de casa.

Pergunto se esses anos foram tristes. Ele nega. “Foi um tempo de aprendizado, se não fosse pelo Exército, talvez eu não estivesse aqui hoje, talvez não fosse o pai que fui, que sou. Servir me tornou digno”. Ele conta que passou por momentos pesados, diz ser impossível não lembrar, mas revela também os amigos que fez, as aventuras que viveu e as lembranças que guarda no coração. E no álbum fotográfico também. Um encadernado amarelo, cheio de retratos da juventude.

Lopes diz que, quando voltou à Londrina, tinha ainda seu emprego de técnico garantido e não se afastou da função nunca mais. Foi dali que tirou seu sustento e construiu a família. Foi dali, também, que conseguiu juntar, com todo o esforço, capital para montar um estúdio de rádio e comprar a casa própria. Ali, conta, é onde quer ficar até morrer.

É notável que, apesar do nervosismo, Lopes sentiu satisfação por contar sua história. “Orgulho é o nome”, ele diz. Orgulho da vida que viveu, dos filhos que criou, do homem que se tornou. “O rádio tá na veia da gente. Na vida. Você tem que gostar do que faz, porque se você faz com amor, você se sente inteiro.”

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