O machismo velado em “Mulher Maravilha”

Longa ainda é avanço pequeno na representação de super-heroínas nas telas do cinema

Reportagem: Laryssa Dias, 4º ano matutino
Edição: Luana Harumi, 4º ano matutino

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Seria “Mulher Maravilha” realmente tão feminista assim? Foto: Warner Bros.

A imagem da mulher no cinema por muito tempo foi a de dama em perigo e com a grande onda de filmes de super-heróis que inundou os cinemas nos últimos anos é quase uma revolução uma mulher como heroína, cheia de poderes sendo protagonista de sua própria história. Seria “Mulher Maravilha” tão feminista como vende ser?

“Mulher Maravilha” estava no papel desde 1996, porém só nesse primeiro de junho que a obra saiu dos quadrinhos e foi parar nas telas do cinema. O filme da DC tem como protagonista Gal Gadot e direção de Patty Jenkins, enquanto pelo roteiro ficou responsável Geoff Johns e Allan Heinberg, ambos roteiristas de histórias em quadrinho para a DC Comics.

O filme não se baseia em uma história específica dos quadrinhos da Mulher Maravilha, entretanto traz com maestria a lenda grega das amazonas para o cinema. Diana é uma deusa amazona esculpida no próprio barro por Zeus para salvar a terra da raiva de Ares, o deus da Guerra, e sendo a única criança da ilha mágica Themyscira, habitada por mulheres altamente treinadas para a guerra que ainda está por vir. Ela  é superprotegida pela mamãe amazona rainha.

Entretanto, sua tia Antíope (Robin Wright) desobedece às ordens reais e treina Diana escondida. O filme é ambientado na Primeira Guerra Mundial.  A aventura de Diana no mundo dos homens começa quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) cai acidentalmente na ilha mágica e simboliza uma humanidade em perigo. Diana veste sua armadura e se transforma para salvar os homens!

Bem, eu gostaria que “Mulher Maravilha” fosse tão feminista quanto acha que é. Claro, é um filme protagonizado por uma mulher e dirigido por uma mulher, mas um roteiro feito por homens dentro de uma indústria nerd que ainda é muito masculina e fetichista. Por causa disso, querendo ou não, os sinais do machismo são sentidos se você olha além das cenas de luta em câmera lenta e das explosões gigantescas.

As piadinhas com o machismo da época quase nos fazem acreditar que o filme é “revolucionário”, mas não passa de um uma camada de pó em cima de um punhado de agrado para um público masculino. A armadura curta e justíssima de Diana sexualiza a personagem, erotizando o corpo da mulher, que, além disso, é perfeito e dentro dos padrões estéticos.

A presença de mulheres com quem Diana mantém contato após a saída da ilha é ridiculamente pequena, fazendo com que por quase todo o filme ela esteja rodeada por homens. Aparentemente, a feminidade, assim como sua beleza, precisa ser reforçada em todos os momentos, mesmo que ela seja competente. No mundo dos homens, a mulher para ser maravilha pode atravessar um front inteiro sozinha, mas tem de ser sexy ao fazer isso.

O romance piegas entre Diana e Trevor parece que foi desenvolvido puramente para agradar aos fãs e é aquela pontinha que realmente incomoda. Será que não é uma forma para despistar um provável passado homossexual de uma mulher criada em uma ilha somente de mulheres?

Aliás, a afirmação de Diana que homens não são realmente necessários, além da reprodução, para o prazer sexual de uma mulher deixa uma dúvida pertinente sobre isso.  Além disso, a ingenuidade da protagonista pelo mundo dos homens não faz dela um alvo muito fácil para manipulação sexual? Seria ela realmente hábil de dar consentimento?

O Girl Power alimentado pelo feminismo liberal que produz e apoia  uma super-heroína mulher protagonista talvez não seja o suficiente para levar a ideia de empoderamento para todas as mulheres. Um avanço foi feito, mas foi apenas um passo numa maratona.

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