Os constantes ataques à Universidade

Desde que entrei na Universidade, vejo a UEL cada vez mais triste; o Governo ataca, a população pouco defende e ela corre o risco de não aguentar mais

Reportagem: Heloisa Moutinho, 4º ano matutino
Edição: Luana Harumi, 4º ano matutino

MATheloisafoto1
Ações do governo do Estado do Paraná esvaziam autonomia das universidades. Foto: Heloisa Moutinho.

Em 2014, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) tinha luz, mas pouca, não era o momento mais feliz. Nos diferentes centros, um funcionário ou outro reclamava da situação. A política era a causa e a universidade começava a dar sinais de sofrimento.

Em maio, ainda de 2014, ouvi algumas pessoas falarem sobre greve. Me veio aquele gelo na espinha. Mal sabia que a greve era dos males, o menor. Os boatos vieram a se concretizar em 2015. As três categorias (docentes, servidores e estudantes) entraram em greve.

Laboratórios estavam parados por não terem equipamentos, outros tinham goteiras. A UEL se tornava mais escura. Não sei ao certo, mas para mim, com minha breve relação com a universidade, aquele era sem dúvidas o começo do fim.

Em 2016, uma nova greve. Novamente todas as categorias resistiram aos ataques do governo estadual. Alunos participaram em peso das assembleias. Jornais construíam uma imagem dos grevistas, a sociedade acatava. A universidade se dividiu e a greve perdeu força. Professores não concordavam com outros professores. Alunos discutiam entre si.

A prova da segregação dentro da universidade foi a discussão em torno do calendário do ano letivo. Cada curso criou o seu. Os centros, os cursos, os docentes e os estudantes ficaram divididos. Alguns entraram em greve, outros não.

O Governo do Estado, comandado pelo tucano Beto Richa, não cessou. Em nenhuma greve houve conquista. 29 de abril de 2015 ficou marcado pelo massacre do governo tucano aos professores. Explico: Representantes das três classes (docentes, servidores e discentes) das universidades do Paraná foram à Assembleia Legislativa, em Curitiba, para protestar contra a votação do “pacotaço” que acontecia naquele momento. Os manifestantes foram recebidos com uma ação desnecessária e extremamente violenta. Bombas de efeito moral, cachorros e balas de borracha foram usados.

Neste ano, os ataques continuam. O Tribunal de Contas do Paraná exige a implantação do sistema de recursos humanos Meta 4 RH – Paraná, ferindo a autonomia universitária garantida pela Constituição Federal e pela Constituição do Estado do Paraná.

As sete universidades se unem novamente contra o Governo Estadual. Quase sem forças, cansada dos últimos anos e não recuperada de todas as atitudes tomadas pelo Governo, resistem.

A UEL, as universidades estaduais de Maringá (UEM) e do Oeste do Paraná (Unioeste), que ainda se recusam a aderir ao sistema, estão com recursos próprios bloqueados pelo governo. Esses recursos são obtidos por trabalhos que a universidade promove, como atendimentos do hospital veterinário.

Não se sabe durante quanto tempo as universidades vão aguentar. O Governo insiste no Meta 4 e não cede. A única coisa que pode ser feita é resistir mais uma vez, mostrar o valor da UEL, defender a universidade e reacender essa instituição.

Leia também:
Professores não concordam com o Meta 4

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s