Empresa produz biofertilizante menos agressivo

Iniciativa foi desenvolvida por estudantes; projeto teve início em pesquisa coordenada por professor do curso de Agronomia da UEL

“O ESTADO PROMOVERÁ E INCENTIVARÁ O DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO, A PESQUISA, A CAPACITAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA E A INOVAÇÃO.”
Artigo 218, Constituição Federal de 1988

Reportagem: Lucas Matheus, 4º ano noturno
Edição: Marcela Pistori, 4º ano noturno

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Professor André de Oliveira, coordenador da pesquisa com biofertilizantes e Daniel Lavorente, bolsista da Universidade Sem Fronteiras, analisando amostra em laboratório. Fotografia: Lucas Matheus.

A Rhizotech é uma empresa de biotecnologia, resultado do trabalho dos estudantes de graduação e pós-graduação de Agronomia. Ela produz, através de estudos, biofertilizantes menos agressivos ao meio ambiente. O professor do Departamento de Bioquímica e Biotecnologia e coordenador da pesquisa, André de Oliveira, explica que esse processo é realizado através do manuseio do solo. São utilizados micro-organismos com capacidade de desenvolver nutrientes para as plantas.

“A nossa tecnologia de manejo permite que a parte viva do solo contribua para a nutrição das plantas cultivadas, utilizando os recursos do próprio ambiente, onde estas plantas estão crescendo”, explica. A ideia, segundo o professor, é utilizar esses micro-organismos para transformar o nitrogênio na atmosfera em uma substância capaz de ser utilizada nas plantações, como as de milho, trigo e cana de açúcar.

A proposta é diminuir em cerca de 80% a quantidade de fertilizante nitrogenado, produto mais utilizado na agricultura para repor nutrientes e aumentar a produção. A utilização desse tipo de fertilizante, no entanto, causa sérios prejuízos, como degradação da qualidade do solo, poluição de fontes de água e da atmosfera, além do aumento da resistência de pragas.

O professor explica que, no processo de criação da empresa, a Aintec (Agência de Inovação – UEL), é importante para o relacionamento com o mercado. “O contato da Aintec foi fundamental para que o processo de amadurecimento da Rhizotech ocorresse. Esse contato foi bem antes da criação da empresa e eles sempre estiveram fomentando pessoas relacionadas ao projeto, em busca da incubação de uma empresa e o alcance do mercado”, diz.

Hoje, o biofertilizante produzido na UEL é doado para pequenos produtores em todo Brasil, para avaliação e, segundo o professor, abrir os olhos para a possibilidade de mudança no conceito de produtividade agrícola. “Esses produtos que são doados têm uma excelente aceitação, mas, infelizmente, não temos como suprir em grande escala essa demanda. Por isso, veio a criação da Rhizotech”, conta.

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Professor André de Oliveira: “Nós buscamos o desenvolvimento de tecnologias de baixo custo e fácil implementação por pequenos agricultores e comunidades agrícolas.” Fotografia: Lucas Matheus.

Além da Rhizotech, outro viés da pesquisa do professor é o desenvolvimento de tecnologia social. Ele utilizou, como base, a pesquisa com biofertilizante e direcionou o projeto para culturas agrícolas importantes nos cinturões agrícolas das grandes cidades, como hortaliças e frutas. “Nós buscamos o desenvolvimento de tecnologia de baixo custo e fácil implementação por pequenos agricultores e comunidades agrícolas”, explica. Assim, surgiu o projeto de extensão “Agroecologia nas cidades”. Atualmente, participam do projeto três bolsistas, sendo dois pelo Programa Universidade Sem Fronteiras, desenvolvido pela Seti, e uma graduanda de Agronomia.

O bloqueio de contas implementado pelo governador Beto Richa (PSDB) virou uma preocupação dos participantes do projeto. Boa parte das atividades de pesquisa e extensão é realizada em plantações de pequenos produtores na zona rural. “Nós temos a limitação da utilização do transporte, por falta de recursos de motorista, gasolina e a diária dos estudantes que trabalham na busca pelos nossos parceiros, na região do entorno de Londrina e Cambé. Temos agricultores familiares, pequenos agricultores e hortas comunitárias, que podem ser atendidos por essa proposta de agricultura nas cidades”, afirma o professor André de Oliveira.

Além disso, na visão do professor, o bloqueio de contas gera incertezas para todos os envolvidos com empresas incubadas. Os recursos captados pela Aintec vão para o caixa comum da universidade. “A agência tem uma forma de captar recursos, que são aplicados na própria empresa. Apesar disso, esse recurso que é captado pela Aintec, cai no caixa comum da universidade e fica sujeito ao bloqueio. Por conta disso, gera incerteza em todas as empresas sobre como se dará o processo de formação e suporte que a agência de inovação mantém.”

Um dos bolsistas do projeto de extensão é Daniel Lavorente de Oliveira, recém-graduado em Agronomia pela UEL. Segundo ele, o projeto afirma seu lado social ao procurar incentivar uma agricultura orgânica, com a redução de agrotóxico. “Todo projeto social traz para a comunidade uma importância muito grande, independente da área que ele atue. No nosso caso, visando uma agricultura mais conservacionista e sustentável, nós procuramos incentivar a produção orgânica e agroecológica”, comenta. “Nos tornamos extremamente dependentes, pois o ambiente das hortas que nós atendemos são em regiões periféricas da cidade. Você precisa de um meio de locomoção”, diz Daniel.

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Daniel Lavorente: “Todo projeto social traz para a comunidade uma importância muito grande, independente da área que ele atue.” Fotografia: Lucas Matheus.

Política de inovação

A Aintec é responsável por gerir a política de inovação da UEL, em acordo com a legislação criada pela Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004. Ela protege as criações e invenções realizadas na universidade e é a intermediária com os setores produtivos – conhecidos como setores primário, secundário e terciário – através do empreendedorismo inovador.

A agência é um órgão de apoio, ligado a Reitoria, e abriga a Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica da UEL (INTUEL), o Escritório de Propriedade Intelectual (EPI), o Escritório de Transferência de Tecnologia (ETT) e o Escritório de Design. Todos têm o objetivo de repassar à comunidade e ao setor produtivo as pesquisas inovadoras da UEL.

O diretor da Aintec, professor Edson Miura, explica que a agência trabalha na interlocução da UEL com os setores produtivos de Londrina e região, como facilitadora. Para que esse processo continue, o diretor afirma que os preceitos da universidade pública devem ser mantidos. “A Aintec faz parte da universidade. Nós acreditamos que ela deve ser pública, gratuita e de qualidade, para que consiga gerar a produção do conhecimento, sempre de forma autônoma e independente”, defende.

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Professor Edson Miura: “Como prevê a própria Constituição do Estado do Paraná, a autonomia garante a UEL se organizar da melhor forma que lhe convier.” Fotografia: Lucas Matheus.

O diretor comenta que o bloqueio de contas prejudica as pesquisas realizadas pela UEL, interferindo no desenvolvimento da região. “Ao deixarem de ser desenvolvidas, as patentes geradas nessas pesquisas podem deixar de ser depositadas e o capital intelectual gerado fica desprotegido, sem função. Com isso, deixamos de contribuir para o desenvolvimento, geração de emprego e renda e para o crescimento econômico da região”, diz.

Segundo o diretor, a constituição paranaense garante a autonomia universitária – inclusive com a mesma redação dada pela Constituição Federal. “O bloqueio fere a autonomia universitária. Como prevê a própria Constituição do Estado do Paraná, a autonomia garante a UEL se organizar da melhor forma que lhe convier”, complementa.

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