Ouro Verde renasce das cinzas

Depois do incêndio de 2012, teatro é reinaugurado em Londrina voltando a ser o palco da cultura londrinense

Reportagem: Brenda de Oliveira e Thais Ludescher, 4º ano noturno
Edição: Marcela Pistori, 4º ano noturno

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Fotografia: Thais Ludescher.

A reinauguração do Cine Teatro Ouro Verde foi marcada por protestos de alunos, de servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da comunidade insatisfeita com o governador Beto Richa. Eles protestaram contra o sistema Meta4, usado pelo governo para processar a folha de pagamento dos servidores.

A cerimônia de reinauguração do teatro foi restrito a autoridades e convidados, o que também gerou descontentamento entre a comunidade. Um forte esquema de segurança foi montado em frente ao local, com grades e presença de policiais, que afastaram os manifestantes.

Apesar da reinauguração desse patrimônio histórico do Paraná, acreditava-se que não haveria a contratação de funcionários necessários para manter o espaço aberto, o que acarretaria em um cine teatro pronto para ser usado, porém fechado por falta de verba. No entanto, contra todas as expectativas, o governador assinou a contração dos 15 funcionários.

O medo desse dia não chegar

Com capacidade para 750 pessoas, um palco de aproximadamente 400 metros², elevador de carga, novos equipamentos de iluminação, som mais moderno e estrutura antichamas, o teatro está pronto. As obras, iniciadas em 2014, respeitaram as características arquitetônicas originais do teatro, considerado Patrimônio Histórico do Paraná, desde 2000.

A obra, orçada inicialmente em R$ 12,6 milhões, custou R$ 17,5 milhões. Entre 2014 e 2015, as obras ficaram paralisadas por mais de 10 meses por falta de repasse de recursos do governo. Para a reitora da UEL, Berenice Jordão, os cinco anos pareceram uma eternidade. “Apesar disso, se considerarmos que foi uma obra pública, o teatro foi restaurado em tempo recorde”, afirma.

“É um sonho que se torna realidade”
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Esse é o sentimento da diretora da Casa de Cultural da UEL, Cleusa Cacione, e de tantos outros londrinenses que viram um dos símbolo da cidade ser consumido pelas chamas. O cine teatro Ouro Verde será, depois de 5 anos, palco do Festival de Música e do FILO (Festival Internacional de Londrina) novamente.

Para Marco Antônio de Almeida, diretor artístico do Festival de Música, a reinauguração do teatro é um “voltar para casa”, já que ele, desde pequeno, frequenta o espaço. “Durante os cinco anos que o Ouro Verde esteve em reforma, o festival aconteceu em locais alternativos, mas voltar para cá é uma emoção incomensurável”, diz.

A ansiedade pela espera da reinauguração deu espaço à emoção de ver o Ouro Verde renascer das cinzas. “O Ouro Verde é a casa do evento. Então tê-lo de volta é muito bom”, ressalta o diretor do FILO, Luiz Bertipaglia.

Do palco para a plateia

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“No domingo do incêndio, eu vi a fumaça pela janela do meu quarto. Meu pai me contou que era o Ouro Verde. Quando eu comecei a ler as notícias, vi uma foto da plateia vazia, nesse momento eu comecei a chorar por medo de nunca mais ver aquela plateia cheia”, relembra Giovanna Machado.

Ela se apresentou durante nove anos no palco do Ouro Verde como bailarina. Viu o teatro cheio, vibrante. Cinco anos depois, ela retorna a esse espaço, não mais no palco, mas na plateia. “Ver o teatro reformado é um acalanto para o coração. Preciso me preparar psicologicamente porque é um lugar repleto de histórias e memórias para mim. Então, retornar para esse espaço, mesmo na plateia, é emocionante.”

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