Mulheres tatuadoras quebram estereótipos

Com ajuda do público, mulheres conquistam espaço no mercado das tatuagens como tatuadoras

Reportagem: Gabriela Campos e Júlia Proença
Edição: Maria Vitória Ticiani

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A tatuadora Debora Castello Branco em seu espaço de criação. Fotografia: Júlia Proença.

As mulheres vêm conquistando cada dia mais seu espaço em profissões que antigamente eram dominadas pelos homens. Em Londrina, isso não é diferente. A profissão da vez é tatuadora. O universo da tatuagem é majoritariamente masculino.

Um evento recente, realizado em Londrina, reuniu tatuadores de várias cidades e estados, num flash day beneficente. Dos 29 artistas que compareceram, apenas nove eram mulheres, evidenciando que a desigualdade no ramo não é apenas em Londrina. Um evento semelhante já tinha ocorrido no mês anterior, apenas com tatuadoras mulheres, obtendo uma taxa bem menor de presença.

Deborah Castello Branco, 24 anos, é formada em Artes Visuais e tatua desde 2013, apesar de só se sentir segura para divulgar seu trabalho desde o ano passado. “Antes, eu nem tirava foto, fazia nos amigos e cobrava preço de custo. Quando eu falava para as pessoas ‘Eu tatuo’, eu não tinha nada para mostrar. Aí eu percebi que precisava me mostrar.”

O estereótipo, quando se pensa em um tatuador, é de um cara com o braço fechado de tatuagem, num ambiente escuro e talvez um pouco opressivo para a mulher. Tatuadoras surgem como uma forma de tornar esse momento, que é desconfortável por si só devido à dor, à localização e ao medo, um pouco menos difícil. Outra característica comum nos desenhos daqueles que procuram por tatuadoras são os traços mais finos e desenhos mais delicados, devido à “mão mais leve” que, segundo a lenda, as mulheres têm.

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Deborah cria os desenhos exclusivos para cada cliente. Fotografia: Júlia Proença.

Deborah conta que muitas pessoas que a procuram querem tatuagens mais pessoais e acham o ambiente de estúdio de tatuagem mais intimidador. O espaço em que ela atua é próprio, com hora marcada e de acordo com inspirações mandadas pelos clientes, feitas com seu próprio jeitinho. “Eu trabalho com ‘slow tattoo’. Não faço desenho pronto. Trabalho com referências. Você me manda imagens que fazem parte do universo que quer a tattoo. Leva cerca de um mês. São desenhos exclusivos.”

Deborah diz tatuar mais mulheres do que homens e acredita que a razão é, em parte, à temática de seus desenhos: plantas e natureza. Para ela, ainda existe outro problema no caminho das mulheres que tatuam. “O público faz muita diferença, porque eu sinto, às vezes, que não botam muita fé. Justamente por eu não ter esse estereótipo de mulher tatuadora. Então, eu tenho que mostrar e comprovar que sou. E há também uma preferência por quem já tá no mercado há muitos anos. O mais importante é olhar o trabalho, se identificar com o trabalho, seja mulher ou homem.”

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