Rogério Ceni, a queda do M1to

Depois de acompanhar o São Paulo em inúmeras vitórias como goleiro, o técnico Rogério Ceni é demitido do São Paulo

Reportagem: Danieli Souza, 4º ano matutino
Edição: Maria Vitória Ticiani, 4º ano matutino

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Rogério Ceni que perdeu o título de mito. Fotografia: Rubens Chiri/saopaulofc.net.

A demissão de Rogério Ceni, ídolo do São Paulo e último técnico do time, foi anunciada no começo do mês. Apesar de a campanha ruim da equipe, tendo sido eliminado do Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana, além da queda para a zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro, muito se questiona sobre a decisão dos dirigentes do clube de demitir Rogério Ceni.

Por algum tempo, a torcida acreditou no projeto de recuperação financeira do clube, mas, tudo isso ficou para trás. O projeto de Ceni, vendido pelo clube com entusiasmo, foi reduzido a apenas 11 jogos. No documento intitulado “Futebol: modernização e identidade”, Leco dizia que “o trabalho de Ceni vai muito além de qualquer finalidade de curto prazo”. Pelo que se vê, mudou de ideia.

O que fica evidente é que os dirigentes do clube não têm a dimensão de como o São Paulo e seus torcedores foram afetados por tais acontecimentos. Não existe relação ídolo-torcida maior que a do torcedor são-paulino com Rogério Ceni, o M1to. Tal passagem, e posterior afastamento, vão ser difíceis de apagar.

Em entrevista coletiva, Leco creditou a demissão à má fase da equipe, isentou a diretoria de responsabilidade na crise e afirmou que quis preservar a figura do ídolo com a demissão. O fato é que Ceni já era técnico antes de ser. O desempenho do ídolo dentro e fora das quatro linhas sempre foi irretocável. O primeiro a chegar ao trabalho, o último a sair. Sempre motivador da equipe, com falas que fizeram a diferença em diversos jogos do tricolor. Da primeira fase do Campeonato Paulista contra o União São João, ao título mundial contra o Liverpool.

Quanto à direção do clube, muitas atitudes são e devem ser questionadas. Quantas vezes foram a público reconhecer o desastroso planejamento que culminou com o desmanche do time? O intenso comércio de atletas da base, vendidos para clubes sem expressão na Europa, antes mesmo de terem a chance de se firmarem na equipe, não tem nenhum dedo de culpa nisso?

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O técnico Rogério Ceni conversa com o time. Fotografia: Rubens Chiri/saopaulofc.net.

Nada causa maior repúdio do que jogar os problemas na conta do treinador. Recentemente, o São Paulo contratou cinco jogadores (Maicosuel, Denilson, Petros, Jonathan Gómez e Arboleda) e perdeu outros (Neilton, Breno, Luiz Araújo, Chávez Maicon e Thiago Mendes). Os danos causados por estas saídas são tão evidentes que causaram mais uma perda ao clube. O auxiliar técnico Michal Beale pediu demissão. Em meio à polêmica que questionava as razões do afastamento, ele usou as redes sociais para se explicar. “Não é verdade que estamos infelizes vivendo aqui, tivemos uma experiência maravilhosa. A decisão foi tomada por razões pessoais, que permanecerão privadas entre mim e a administração do clube”, escreveu.

Rogério Ceni também usou as redes sociais para se pronunciar após a saída do clube. Em sua página oficial no Facebook, Rogério Ceni reconhece que era arriscado assumir o time da sua vida logo no início de uma nova carreira, mas reforça que, no futebol, o risco é sempre presente. “Assumir o time da sua vida logo no início de uma nova carreira não era uma tarefa fácil, alguns podem ter achado precipitado, outros poderiam pensar que deveria ter recusado o convite, o fato é que realmente era arriscado. Quando comecei a bater faltas e pênaltis nos treinamentos, não havia a menor certeza de que eu as colocaria em prática em um jogo de verdade pelo SPFC, o risco aqui era treinar por meses e nunca comemorar um gol”, desabafou. Ele também pediu desculpas por eventuais falhas na função de treinador. “Desculpem-me se falhei, mas o que me moveu nesse projeto foram os riscos para conquistar a glória”, escreveu Rogério Ceni.

Rogério Ceni, no entanto, não era unanimidade entre os jogadores. Vários episódios foram marcantes para causar um “racha” na equipe. Um deles foi a bronca em Rodrigo Caio no jogo contra o Corinthians, na semifinal do Campeonato Paulista, após a atitude de fair play do zagueiro. Ele admitiu ter derrubado o corintiano Jô, o que fez o árbitro cancelar o cartão amarelo que tiraria o atacante do jogo seguinte. Outro aconteceu no mesmo dia. Durante o intervalo, nos vestiários, o técnico atingiu o jogador Cícero com uma prancheta. O episódio foi “esclarecido” posteriormente e justificado como acidental.

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Rogério Ceni em estreia no São Paulo em 1993. Fotografia: Arquivo Histórico do São Paulo.

No fim do balanço, um assunto ainda ficou pendente: a multa rescisória. Por contrato, o São Paulo tem de pagar R$ 5 milhões, em caso de demissão, com aproveitamento superior à média dos antecessores Juan Carlos Osorio, Edgardo Bauza e Ricardo Gomes. A diferença foi pequena mas existiu: o ídolo tinha 49,5% e os antecessores, 47%. Até o momento, nenhuma informação foi divulgada sobre isso.

Em meio à polêmica, Dorival Júnior foi confirmado pela diretoria do São Paulo como substituto de Rogério Ceni e responsável por tentar livrar a equipe da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. O anúncio da contratação foi feito por Leco, nas redes sociais. “Dorival Júnior é o novo técnico do São Paulo. Desejo a ele boas-vindas e sucesso”, escreveu o presidente. O contrato vai até o final de 2018.

Em um vídeo, divulgado pela assessoria, o substituto de Ceni pediu a colaboração e apoio da torcida para o trabalho que se segue. “Alô, torcida são-paulina. Quero agradecer o apoio e o carinho que tenho recebido nos últimos dias. E dizer que conto com todos vocês para que possamos colocar o São Paulo novamente no caminho das vitórias e de conquistas. Um grande abraço a todos. Fiquem com Deus”, disse o treinador.

Dorival Júnior assume a equipe na 17ª posição do Campeonato Brasileiro. Pelo histórico do treinador, assumir equipes em crise tem dado bons resultados. Em 2015, ele assumiu o Santos na zona de rebaixamento e encerrou o campeonato com o time na 7ª posição. Quando no comando do Palmeiras, também livrou o time da degola, embora sem grandes avanços.

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