Vinil volta à cena musical

Colecionadores, artistas e amantes da mídia analógica ressuscitam a paixão, na contramão das facilidades da internet

Reportagem: Beatriz Brito e Jéssica Doarte, 4º ano noturno
Edição: Lucas Matheus, 4º ano noturno

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Cultura do vinil ressuscita formato analógico. Fotografia: Beatriz de Brito.

Tirar o disco da capa. Colocá-lo no toca-discos. Posicionar com rigor a agulha. O ato de ouvir música no século XXI se tornou um movimento automatizado de clicar e ouvir. Na contramão do avanço tecnológico, com downloads acessíveis e serviços de streaming, há aqueles que veem no vinil uma aura não existente em outros formatos. Por isso, o vinil está de volta. Tanto que a venda de discos no Brasil cresceu cerca de 20%, em 2016.

O vinil vem retomando o espaço no mercado da música, levando artistas contemporâneos a investirem nesse tipo de mídia. Artistas como Pitty, Lenine, Fernanda Takai e bandas como Los Hermanos, Cachorro Grande e Dead Fish, lançaram recentemente versões em vinil dos seus álbuns. Nessa nostalgia, os compact discs (CDs) perderam espaço, cedendo lugar a uma tecnologia mais obsoleta, mas que proporciona um sentimento ímpar à experiência musical.

Moda ou não, o mercado do Long Play (LP) cresceu gradativamente nos últimos anos e despertou a atenção de comerciantes no ramo música. Além da demanda dos novos artistas, existem aqueles que arrecadam muito no mercado dos discos usados. Alex Basques é um dos donos do Sebo Capricho em Londrina.

O empresário diz que, desde o início das atividades da loja, em 1998, sempre vendeu vinil. “Quem gosta nunca deixou de comprar. As pessoas que ouvem MPB, rock clássico, pessoas que não se importam com modismo.”  Basques conta que, nos últimos cinco anos, as vendas têm aumentado consideravelmente. O faturamento diário é, em média, de R$ 1,5 mil.

Atualmente, o Sebo Capricho conta com um acervo de, aproximadamente, 70 mil discos, entre os expostos na loja e em depósito. Entre eles, há uma grande variedade de gêneros musicais, de clássicos, como Beatles, a canções orientais. Todos os dias alguém compra ou vende vinil na loja. O LP “Let me sing my Rock’n’Roll”, de Raul Seixas, foi vendido por R$ 2,2 mil e era o disco mais caro do sebo, relata o comerciante.

Antes dele, outro disco raro foi o primeiro do Roberto Carlos, “Louco por Você”, que mesmo todo riscado, foi vendido a R$ 500,00. Alex diz que tem planos para começar a negociar com empresas como a Polysom, uma das únicas fabricantes de vinil do Brasil, para vender discos novos.

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Novos toca-discos, com capacidade para reproduzir diferentes mídias chegam ao mercado como artigo cool. Fotografia: Beatriz de Brito.

Marcelo Domingues, promotor de festas, é um colecionador e apaixonado por música. “Não tenho muitos. Já tive mais, antes do advento do CD. Hoje devo ter cerca de 200 a 250 LPs”, estima. Ele comprou o primeiro disco de vinil nos anos 1980. “Foi em 1982. Era um LP do Kiss, lançamento”, recorda.
Ainda muito apegado ao CD, Marcelo atenta para a diferença de qualidade do digital para o analógico, mas não deixa de destacar outros diferenciais do vinil. “É um formato ótimo, nostálgico. Suscita vários aspectos emotivos, táteis, físicos e psicológicos a respeito da música e do fetichismo que é possuir um objeto tão icônico quanto as canções que vêm em seus sulcos”, afirma.

Fábricas garantem produção 

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Torno de corte Neumann VMS70, da empresa Polysom, do Rio de Janeiro. Fotografia: Daryan Dornelles/Divulgação.

No Brasil, existem duas fábricas de discos de vinil. A Polysom, localizada em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, reinaugurada em 2007. No ano passado, eles tiveram um aumento na produção em torno de de 150 mil unidades de discos. A Vinil Brasil, aberta em São Paulo, em 2016, está com planos de quadruplicar a capacidade da produção nacional. A nova fábrica produz um artigo considerado vintage, com equipamentos antigos. As prensadoras da extinta gravadora Continental, que teve o prédio demolido, foram resgatadas do ferro-velho, pelo dono da fábrica.

No mês passado, a gigante da música Sony anunciou que voltará a fabricar discos de vinil. Em 1989, a gravadora havia interrompido a produção deste formato analógico, devido à popularização dos CDs. O motivo foi o aumento a nível global da demanda pelo formato de música analógico. Segundo um levantamento realizado, em abril deste ano, pela revista digital Universo do Vinil, há 68 fábricas do formato existentes no mundo atualmente, em 26 países.

Como é o processo de fabricação do vinil?

 

 

Confira a produção de vinil da empresa Polysom.

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