Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, mostra que, todos os dias, 32 brasileiros tiram a própria vida

Reportagem: Júlia Proença e Luana Harumi, 4º ano matutino
Edição: Marina Gallego Gallo, 4º ano matutino

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Série ’13 Reasons Why’ reacendeu debate sobre bullying e suicídio. Fotografia: Luana Harumi.

No último dia 20, Chester Bennington, da banda americana Linkin Park, foi encontrado morto em sua casa perto de Los Angeles, Califórnia (EUA). De acordo com informações da polícia local, o cantor teria se enforcado em sua residência. O fato ocorreu no dia em que um de seus amigos mais próximos, Chris Cornell, vocalista da banda Soundgarden, que morreu em maio, também por enforcamento, faria aniversário.

Apesar de o músico Bennington ter afirmado em entrevistas que havia cogitado suicídio por conta de abusos sofridos quando criança, e também possuir um histórico de problemas com drogas, a notícia foi um baque para fãs da banda, mesmo que esses temas tenham sido mencionados em músicas do último álbum do grupo, lançado em maio. Títulos como ‘One More Light’ e ‘Nobody Can Save Me’ dão uma ideia do tom sombrio adotado por Bennington, um dos principais compositores.

“Estou dançando com meus demônios / Estou à beira do precipício / (…) / Mas ninguém pode me salvar agora / Estou segurando uma luz / Estou perseguindo a escuridão / Porque ninguém pode me salvar.” (Nobody Can Save Me)

De acordo com levantamento feito pelo Mapa da Violência 2017, estudo publicado anualmente a partir de dados oficiais do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, todos os dias, 32 brasileiros tiram a própria vida. No mundo todo, esse número sobe para 20 mil pessoas. São dados crescentes e alarmantes que prenunciam uma característica da sociedade atual: apesar do aumento da taxa de mortes: pouco fala-se sobre suicídio. Porém, especialistas apontam que conversar sobre o assunto, abrir o canal da comunicação com alguém que apresente ideações suicidas, é a melhor forma de evitar o pior.

A psicóloga e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Luzia Zanluqui diz que é muito importante que pessoas nessa situação tenham apoio. “Busque um amigo, um conhecido, alguém de confiança, conte desse pensamento, procure auxílio profissional”, orienta. “Se identificar alguém com essas ideações, chegue na pessoa. Não precisa chegar direto no assunto do suicídio, mas dizer que está percebendo alguma tristeza e oferecer auxílio – olhar nos olhos, pegar na mão, acalmar a pessoa e também procurar ajuda profissional junto com ela.”

Apesar de ser impossível identificar um único grupo de risco, universitários estão propensos a ter ideações suicidas. A professora considera que as relações interpessoais dentro da universidade podem ser um problema. “A gente tem bullying, assédio moral, inclusive entre os funcionários, entre os professores, não só entre os alunos. Tudo isso contribui”, diz.

O bullying é uma das maiores causas de suicídio e, de acordo com pesquisa do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), no Brasil, um em cada dez estudantes sofre bullying frequentemente. 

A série americana ’13 Reasons Why’ (Os Treze Porquês), lançada em março deste ano no serviço de streaming online Netflix, buscou expor a situação. Na série, adaptada do livro homônimo de Jay Asher, lançado em 2007, a adolescente Hannah Baker tira a própria vida após sofrer diversos ataques de colegas da escola.

A série dividiu opiniões e colocou o tema sob os holofotes. O Centro de Valorização da Vida (CVV), associação que presta auxílio a pessoas com depressão e ideações suicidas, registrou grande crescimento no número de chamadas em busca de apoio após o lançamento da série.

O tema do suicídio é tabu também na mídia, já que existem várias barreiras impostas na hora de reportar notícias sobre o assunto, de maneira que ele não seja sensacionalista, romantizado, não incentive ninguém ou desrespeite de alguma forma a vítima ou sua família.

Pensando nisso, o CVV criou uma cartilha voltada para a imprensa que auxilia na abordagem do assunto. Para acessar o conteúdo, clique aqui. Além disso, o CVV oferece apoio emocional através de e-mail, skype, chat e do telefone 141, 24 horas por dia.

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