Cães doadores podem salvar vidas

Os ‘melhores amigos do homem’ tornam-se verdadeiros heróis através do banco de sangue de cães da UEL

Reportagem: Gabriela Campos e Maisa Carvalho, 4º ano matutino
Edição: Marina Gallego Gallo, 4º ano matutino

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Thalita, o noivo Vinícius e Luma durante um dia de coleta de sangue. Fotografia: Arquivo Pessoal.

Durante o ano todo, diversas campanhas de doação de sangue são lançadas pelos hospitais e hemocentros da cidade. Seja para ajudar a mãe, o tio ou o vizinho, muitas pessoas abraçam a causa e ajudam a abastecer os bancos de sangue. O que pouca gente sabe, no entanto, é que não são somente as pessoas que precisam e que podem ajudar na manutenção da vida.

 

O Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), por meio do Projeto Vida – Banco de Sangue de Cães, já pôde salvar centenas de vidas caninas com a doação de sangue de cães. De acordo com a docente do curso de Medicina Veterinária da UEL e coordenadora do Projeto, Patrícia Mendes Pereira, o abastecimento do banco de sangue canino é fundamental para a vida dos pacientes do HV.

“Atendemos muitos cães na emergência, em estado grave. Muitos desses animais atropelados, com doenças crônicas ou agudas. Eles chegam extremamente anêmicos. A gravidade da anemia é tão grande que, às vezes, não dá para esperar duas, três horas para começar a transfusão sanguínea”, explica.

Assim como acontece nos hemocentros de sangue humano, o banco de sangue canino da UEL está sempre em busca de doadores, uma vez que a demanda é alta se comparado ao número de bolsas em estoque. “Como faltam doadores, às vezes chega um animal precisando de transfusão e a gente não tem sangue estocado. Muitas vezes, esse animal acaba morrendo, por falta do atendimento imediato com o sangue”, diz Patrícia Pereira.

Nem todo cão pode se tornar doador. Além de avaliação clínica feita para verificar o estado de saúde do animal, o cão deve ser de grande porte; pesar mais de 28kg; ter entre dois e oito anos de idade; ser vacinado anualmente; e ser manso, para que, dessa forma, permita a coleta do sangue na presença do guardião. “Isso é feito [os exames] tanto para que, de forma alguma, eles não sejam prejudicados com a coleta de sangue, quanto para sabermos que estamos passando um sangue saudável, sem doença”, complementa a docente.

Além da chance de salvar a vida de outros cães, os animais doadores ‘de carteirinha’ ainda recebem exames e vacinação gratuitos, mesmo após atingirem os oito anos de idade.
A biomédica Thalita Herek, guardiã de Luma, uma Golden Retriever de oito anos, conta que a “filhota” é uma doadora de carteirinha. “Ela começou a doar há três anos, após um pedido no Facebook. Tinha um cachorrinho internado no HV que estava precisando.”

Thalita Herek afirma que antes ficava um pouco insegura, com medo de Luma estranhar o ambiente. “Antes eu ficava um pouco apreensiva, com medo que demorasse e ela ficasse meio triste. Mas aí vi que era muito rápido e tranquilo. Sempre que me ligam, nós estamos lá”, diz.

Gatos doadores

Cães podem ser doadores, mas e os gatos? Eles também podem e são doadores, contudo, o armazenamento do sangue dos felinos não é possível ainda hoje devido à quantidade de sangue coletado desses animais.

A professora Patrícia Pereira explica que, por serem animais menores, a quantidade de material retirada de cada coleta é pequena para o tamanho das bolsas de armazenamento. “A bolsa de sangue do cão é a mesma de humanos, então o volume coletado deve ser maior. Para conseguirmos armazenar sangue de gatos, teríamos que usar uma bolsa menor, mas que não temos no Brasil.”

Dessa forma, quando surge a necessidade de uma transfusão em felinos, doadores são acionados na hora para que a coleta possa ser feita e o sangue já utilizado, evitando, assim, o armazenamento.

Os interessados em fazer doação de sangue de cães evem entrar em contato com a equipe do Projeto Vida através da página no Facebook  ou pelo Instagram. Por meio desse contato, um agendamento será feito no horário mais cômodo para o dono do animal.

“O proprietário deve agendar o atendimento. Por se tratar de um projeto de extensão, se chegar um doador de sangue sem agendamento, nós não temos uma equipe para colher o sangue na hora”, ressalta a professora Patrícia Pereira.

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