Estudantes reclamam da pressão na universidade

Muitos acabam tendo de fazer tratamento de saúde para problemas que vão de gastrite à ansiedade e depressão

Reportagem: Heloisa Moutinho, 4º ano matutino
Edição: Marina Gallego Gallo, 4º ano matutino

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Entre cadernos e remédios, estudantes apresentam problemas de saúde física e mental durtante o curso superior. Fotografia: Heloisa Moutinho.

Entrar em uma universidade pode ser desgastante. Escolher o curso e enfrentar vestibulares, já são fatores que podem mexer com a saúde de vestibulandos e essa é apenas a porta de um caminho muito longo chamado graduação.

Segundo a psicóloga Jessica Carvalho, a escolha de um curso superior esbarra nos desafios do novo, que implica o medo da pessoa errar nas decisões escolhidas. As incertezas e cobranças podem desencadear diversos conflitos. Ela afirma que a falta de autoconhecimento pode trazer transtornos como ansiedade, pânico, alterações no humor e até mesmo depressão. “Se a pessoa não conhece suas motivações, não reconhece suas habilidades e limitações, o processo de escolha pode ser bastante doloroso”, acrescenta.

Depois de passar pelo período de escolha e entrar na faculdade, o estudante se vê em um universo totalmente diferente: cobranças maiores, matérias novas a serem estudadas, amigos e professores desconhecidos. A tudo isso, soma-se a dúvida se aquele curso é mesmo o certo.

O ambiente universitário é, muitas vezes, visto como tóxico. A chamada vaidade acadêmica é comum, os professores podem não ser muito compreensivos e os alunos podem apresentar comportamento competitivo.

Dentro de uma universidade é fácil conhecer estudantes que fazem uso de medicamentos para tratar doenças decorrentes do nervosismo. Um dos remédios mais comuns é o Omeprazol, que trata gastrite. Três universitários falaram sobre sua saúde física e mental e sobre a rotina universitária. Eles são de universidades e cursos diferentes, o que demonstra que esses problemas não são pontuais.

Raissa Tamy Ishioka, 23 anos, é aluna da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e está no terceiro ano de faculdade. Ela explica que em 2016 foi diagnosticada com ansiedade e depressão. Nesse momento, Ishioka percebeu que precisava iniciar um tratamento longe da pressão do curso. Ela trancou a faculdade e começou um tratamento de saúde.

Neste ano, Raissa voltou para o curso com uma grade especial. Ela faz apenas algumas disciplinas do terceiro ano e no ano que vem, fará o restante da grade. A estudante diz que, dessa forma, consegue controlar melhor sua saúde mental. “Ainda assim sofro bastante, não só eu, vejo que várias pessoas da minha sala ou do meu curso estão passando por problemas também.”

Carlos Roberto, 20 anos, também está no 4º ano de Arquitetura e Urbanismo, da UFMT. O jovem afirma que engordou 20 quilos em três anos. Ele reclama de dormir pouco por causa da quantidade de atividade que precisa realizar.

 

Diego Bulhões Silva, 22 anos, está no 4º ano de Arquitetura e Urbanismo, na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Ele afirma que há sobrecarga de atividades e reclama da competividade entre os colegas de turma.

 

A psicóloga Jessica Moreira Carvalho afirma que a psicoterapia (encontros semanais com psicólogos), a pratica de exercícios físicos, como caminhadas, academias e esportes, e até mesmo escrever podem ajudar a manter ou reconquistar a saúde mental. Carvalho não descarta o encaminhamento do estudante ao psiquiatra, que pode prescrever medicamentos para ajudar no tratamento.

SERVIÇO
A UEL possui uma clínica psicológica que pode atender alunos, gratuitamente. Para ter mais informações ligue no número (43) 3371-4237. O Serviço de Bem Estar à Comunidade, o Sebec, também oferece uma lista de profissionais que podem atender os alunos da UEL com desconto. São serviços de psicoterapia, psicologia e psiquiatria.

 

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