Arte mural cresce em Londrina e região

 

Artistas de rua usam muros e prédios como telas para realizar suas obras 

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Mulher observa mural em Rolândia, na região metropolitana de Londrina.

Reportagem: Lucas Meyer, 4º ano noturno
Edição: Brenda de Oliveira, 4º ano noturno

O muralismo começa nas cavernas, passa pela idade média com os afrescos e pelo renascimento com Michelangelo. Depois renasce com a arte revolucionária no México, segundo o artista visual José Dias. Nos anos 1970, surge o graffiti como um dos elementos do HipHop. André Luiz de Andrade (ALA) diz que essa arte é uma expressão que veio do gueto. “Por isso, traz um sentimento para o muro, pode ser algo político, um questionamento. É uma comunicação com a sociedade”, destaca.

Uma diferença entre o graffiti e a arte mural é, essencialmente, o tamanho. Entretanto, é possível que um graffiti tenha 50 metros ou até mais como um mural. “A pintura desses murais é diferente de pintar uma tela justamente pelo tamanho. Não estamos acostumados a desenhar em uma escala muito grande”, explica Dias. Para amenizar essas dificuldades, existem algumas técnicas, como quadricular a superfície ou projetar no muro o desenho que será feito. “Quando você vai pintar ‘freehand’ (sem guias) precisa utilizar outros métodos, como sobreposição do spray ou apagando traços que sobram”, esclarece Andrade.

Dias começou a desenhar ainda na infância. Na adolescência, ele estudava por meio de livros, obras de outros artistas e ainda com amigos. Outra paixão era o cinema. Durante a infância trabalhou no Cine Ouro Verde e no Cine Com-Tour. “Algumas vezes pediam para eu fazer os cartazes dos filmes”, conta. Segundo ele, a vivência com as grandes telas do cinema o ajudam a fazer suas obras nos muros. Seu primeiro mural media 60 metros de comprimento. Foi feito em 2001, em sua cidade natal, Rolândia, na região metropolitana de Londrina. Após concluir o curso de Artes Visuais, em 2012, produziu três filmes, sendo que o primeiro deles foi selecionado para o Festival Kinoforum.

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Artistas iniciam mural em uma fachada de casa.

No final do ano passado, em uma viagem, encontrou algumas canetas de um ex-cartunista do Jornal Diário Catarinense. “Aquilo foi, para mim, como um sinal de Deus”. Desde então, tem se dedicado integralmente à produção de pinturas e murais. “Nós, artistas, precisamos nos sustentar como qualquer cidadão”, justifica Dias. Sobre o financiamento das obras, os murais podem ser patrocinados por instituições particulares ou por meio de editais públicos.

Atualmente, há muitas possibilidades para a realização de murais. “A sociedade aceita bem esse tipo de arte. Claro que se tiver uma expressão mais partidária vai existir uma resistência, mas se for algo politicamente neutro, não tem barreira”, relata. Para o artista, os muros foram levantados para separar lados, mas através dessas pinturas acredita que o muro possa ser um local de encontro da cidadania.

Andrade, também muralista, diz acreditar que a pintura muda o lugar. “Um mural muda como a pessoa se relacionam com o local. Pode provocar diversas sensações dependendo do conteúdo da obra. Traz sorrisos, tristezas, estranhamento”. Designer desde seus 18 anos, ele começou a utilizar o spray para arte no seu próprio quarto, tempo depois treinou no muro da casa de sua mãe.

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“Eu pintava o muro da casa dela todo final de semana. Pintava em um dia e apagava no outro. Fiz isso durante seis meses. Dessa forma aprendi as técnicas desse tipo de arte”, relata. Em 2016, a convite de um amigo começou a realizar trabalhos em muros. “Por ser do meio do design e da publicidade, tenho bastante contato com arquitetos e, assim, consegui bastante oportunidades para fazer meu trabalho”.

Para Andrade, o mural é um tipo de graffiti, considerando que é feito na rua, mas tem diferentes características estéticas, o que causa confusão. “Os murais, por serem muito grandes, causam um impacto, então as pessoas entendem mais como arte e não vandalismo”, explica. O diferencial do muro é muito ampliado e está acessível para todos.  “Aqui em Londrina existe um respeito pelo trabalho do outro na rua, mesmo se for pichação, diferente de São Paulo onde acontecem brigas por causa dos ‘atropelos’ (pintar por cima da obra do outro).”

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