Conheça as (incríveis) coleções de moradores de Londrina

Texto, áudios e vídeos: Giovanni Porfírio

 

Ao longo da vida, o ser humano, em seu cotidiano, presencia inúmeras situações. Muitas delas acabam mexendo com seu imaginário e ficam guardadas para sempre na memória, sobretudo os bons momentos. Além de eternizar na mente tais lembranças, ele também costuma guardar esses instantes por meio de algo concreto, físico, que comprove que ele viveu aquele episódio. Neste último caso, ganham espaço as chamadas coleções, arquivos de objetos por meio dos quais o indivíduo procura perpetuar um instante importante de sua vida.

Sejam elas de qualquer tipo, as coleções estão ligadas à afetividade, como as que dão prosseguimento à recordação de um parente que morreu e que guardava um objeto que considerava relevante para si. Outras começam de forma desproposital e, depois de um tempo, ganham tamanho e guardam uma história. De um modo geral, todas as pessoas fazem pequenas coleções no dia a dia, como selos, moedas e chaveiros, entretanto, algumas procuram reunir pertences de maior valor simbólico.

Um exemplo é Antônio Neto. Biólogo de formação, o hoje fotógrafo profissional possui centenas de câmeras analógicas armazenadas em um cômodo de seu apartamento. O gosto pela função começou ainda criança, com o pai, que sempre o incentivou a seguir esse caminho.

 

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Quase 200 câmeras compõem a coleção de Neto; algumas delas estão expostas em seu escritório (Crédito: Antônio Neto)

 

Cada uma delas tem um significado diferente para o colecionador. A mais antiga é da década de 1910 e a última, do final da década de 1990. Para Neto, uma das razões que o leva a colecionar câmeras analógicas é o fato de que cada uma delas tem um mecanismo diferente de funcionamento, ao contrário das digitais que, em sua maioria, operam quase da mesma forma. A maioria daquelas que compõem a sua coleção foi adquirida por meio de doações e, apesar de já possuir uma infinidade delas, ele não pretende parar tão cedo.

 

 

Uma grande coleção que, assim como a de Neto, começou na infância é a do jornalista Fábio Calsavara. Nascido em Ivaiporã, no interior do Paraná, tem como uma das paixões o videogame. Vários deles ainda estão em perfeito estado de conservação e, curiosamente, ainda funcionam. Os mais famosos da história fazem parte do seu vasto e raro arquivo de eletrônicos, como os clássicos Atari, Telejogo e o inesquecível Mario World.

 

 

Em ano de Copa do Mundo, Fábio também se dedica a uma outra coleção, esta, que segundo ele, já causou inveja em muita gente. Ele possui as réplicas em miniatura das bolas dos mundiais realizados desde 1970, exceto a deste ano, que ainda será providenciada. Todas são em miniaturas. Nem a bola da conquista do ouro olímpico de 2016 pela seleção brasileira foi deixada de lado. É mais uma herança que o jornalista quer deixar para o filho, apaixonado por esportes.

 

 

Já a pedagoga Izabel Esteves vai na contramão de coleções que remetem à infância. Bella, como é conhecida, é natural de Bragança Paulista (SP) e está em Londrina há quase dois anos. Ela guarda, dentro de seu apartamento, uma vasta quantidade de canecas. Algumas são lembranças de viagem, outras, de amigos próximos. Boa parte delas ficou na cidade do interior paulista, entretanto, as mais simbólicas vieram junto com a mudança.

 

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Algumas das canecas que Bella coleciona; todas ficam em um canto reservado da casa (Crédito: Alexs Tcho)

 

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A primeira caneca da coleção (à esquerda) e a última (à direita) (Crédito: Alexs Tcho)

 

Colecionadora há 25 anos, ela diz que já chegou a ter quase mil canecas dentro de casa. Cada uma delas guarda uma história e, se depender dela, o local ainda tem espaço para muitas outras.

 

 

O fato é que colecionar qualquer tipo de coisa pode ser uma atividade que, se realizada com os devidos cuidados, tem o poder de proporcionar bem-estar às pessoas. A psicóloga Patrícia Mota classifica esse tipo de conduta como sendo o colecionar saudável, que, na maioria dos casos, serve como uma forma de incluir o indivíduo em determinados grupos. Além disso, não só faz com que haja uma aproximação entre os membros de uma determinada comunidade, como também é uma forma interessante de ocupar o tempo ocioso.

 

 

Apesar de prazeroso, reunir certos pertences dentro de casa pode estar aliado a fatores prejudiciais ao convívio em família, o que demanda atenção. Patrícia afirma que, quando o colecionador passa para o estágio de acumulador, o passatempo acaba se tornando um problema e leva a alguns transtornos, como aqueles ligados ao aumento obsessivo daquele acervo ou quando o indivíduo passa a querer se dedicar exclusivamente ao mesmo, interferindo nas tarefas do dia a dia.

 

 

A influência que uma coleção exerce na vida do indivíduo vai além do simples acumular. Aquilo que para alguns é uma mera diversão, para outros tem o poder de se tornar uma fonte de renda, como é o caso de Antônio, uma herança a ser deixada para o filho, narrada por Fábio, ou mesmo a eternização de momentos importantes da vida, trazida por Isabel. Cada um dos acervos, portanto, tem um significado próprio para quem se dispõe a mantê-lo, e somente o colecionador é capaz de descrever o sentimento envolvido. É a prova de que reunir lembranças vai além do material.

 

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