Mecanismos de repressão prejudicam sexualidade feminina

Texto, áudios e vídeos: Mariana Lo Turco

 

Quando a palavra sexo vem à mente, logo se pensa em prazer. Entretanto, na prática, não é isso que acontece. Segundo um estudo feito, em 2017, pelo ambulatório de sexualidade do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), apenas 22% das mulheres já alcançou o orgasmo, enquanto 78% nem ao menos conhecem este prazer. Para o fisiologista hormonal e terapeuta sexual Calvino Coutinho Fernandes, apesar de não ser tão visível quanto o masculino, o orgasmo feminino existe.

 

 

O pensador Michel Foucault em “A História da Sexualidade” aponta que a sociedade vive, desde o século 18, uma fase de repressão sexual. De acordo com ele, nessa fase, o sexo se reduz à sua função reprodutora e o que sobra torna-se “amor mal”, que por fim é expulso, negado e reduzido ao silêncio.

 

ILUSTRAÇÃO 1

Objetos são associados ao prazer e, ao mesmo tempo, à repressão feminina (Crédito: Gabriel Alves)

 

Atrelados a isso, os ideais do cristianismo pregam que a relação sexual tenha fins reprodutivos, ou seja, não precisa resultar em prazer. Entretanto, é perceptível que o tratamento dado às mulheres em relação ao prazer difere ao dos homens. Práticas como a cliteridoctomia (a retirada no clitóris), presente em alguns países africanos como também em muitas tribos americanas, provam que a sociedade patriarcal reprime as mulheres de sentirem prazer. Na maioria dos casos, há complicações para elas, como infecções provocadas devido às condições precárias às quais são expostas. Martha Ramírez Galvéz, antropóloga de gênero, diferencia a educação sexual dada às mulheres e aos homens, e aponta o que contribui para esta inibição da sexualidade feminina.

 

 

A repressão não se trata do impedimento de fazer sexo, isto é, do ato em si, mas sim em relação à forma com que a mulher deve seguir certas normas para se encaixar no que seria a bela, recatada e do lar. Rebeca Baeta, de 24 anos, engravidou aos 15 anos dentro de um lar conservador com três homens.

 

 

A mulher, como no caso de Rebeca, reproduz por meio da culpa, vergonha e medo os impactos de uma criação que a repreendeu.

 

 

A repressão também pode aparecer no meio universitário. Com hormônios aflorados, jovens forçam-se a fazer sexo. Tal fato faz com que a mulher também se sinta mal caso não expresse a vontade de transar.

 

 

A sexualidade feminina é pauta de homens, que definem a mulher como santa ou como vadia. Isto é refletido até em nossa língua, que sempre apresenta um caráter depreciativo e sexual nos “xingamentos”.

 

 

Uma boa relação entre corpo, sexualidade e prazer é resultado de uma educação sexual que não reprime para ensinar.

 

 

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