Com vocês, Larissa Point, uma das drags mais conhecidas de Londrina

Texto: Leonardo Pedroso

 

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Drag queen desde 1997, Larissa Point faz shows em eventos e é dona de seu próprio salão de beleza (Crédito: Keith Imamura)

 

O termo drag era antigamente usado para atores de teatro que usavam roupas típicas do gênero oposto. Na antiguidade, as mulheres não eram autorizadas a participar de peças de teatro. Era comum, então, que homens usassem vestidos e perucas para subir ao palco enquanto reproduziam trejeitos femininos.

O ato de fazer drag evoluiu junto com a humanidade e se tornou febre em boates e espaços LGBTQ+. Muitas vezes associada à descoberta da orientação sexual, ser drag queen se torna uma forma de expressão pessoal, e até mesmo fonte de renda para os que realizam essa performance.

É o que aconteceu a Larissa Point, drag queen de Londrina. Ao relembrar da sua primeira experiência “montada”, ela fala sobre a curiosidade com drag queens e a sua orientação sexual. “Eu frequentava a boate Friends, que hoje não existe mais, em meados de 1997. Foi nessa época que me descobri gay e uma vez uma drag me chamou pra fazer show. Eu fiz uma apresentação lá e foi muito bom.”

Foi essa noite de novos talentos, há quase 20 anos, que mudou a vida de Robsleno Soares. Esse é o nome de batismo de Larissa, que escolheu ser chamada assim, porque jurou que batizaria sua filha com esse nome. O “Point”? Herança de drag mãe. A mesma que a chamou para subir ao palco pela primeira vez.

Além de ter a primeira experiência como drag, essa noite marcou outro aspecto de sua vida: a saída do armário. “Os pais do meu melhor amigo me viram na boate e contaram para os meus pais. Eles me perguntaram se eu era gay e eu respondi que sim. Minha mãe ficou chocada por uns dias, mas acho que ela já sabia de tudo. Foi uma mera formalidade e um esclarecimento. Depois ela aceitou de uma forma ótima. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.”

Hoje, é impossível falar sobre drag queens sem citar RuPaul Charles. O menino negro de San Diego, na California (EUA), cresceu e se tornou a supermodelo do mundo. Consolidada como uma das maiores drags da história, atualmente acumula no currículo o reality show “RuPaul’s Drag Race” e dois prêmios Emmy. No Brasil, o jovem Pabllo Vittar é um dos maiores nomes da música pop da última década, se apresentando em todos os canais de televisão e quebrando recordes musicais.

Em relação a essas drags, há diferenças e semelhanças. Larissa e RuPaul começaram na década de 1990, mas a londrinense comenta que não se inspirou nela. Sobre Pabllo, conta que o jeito de fazer drag é diferente, mas que a mensagem continua importante. Ela admite também que gosta do trabalho dos dois artistas.

 

 

Mas, para Larissa, o que é ser drag, afinal? “O drag é o exagero da mulher. Eu gosto de me inspirar em mulheres, em como usam os cabelos e roupas, mas claro que de uma forma exagerada. Eu costumo falar que presto serviço de drag, mas trabalho como palhaço de luxo.”

Hoje, além de ser proprietária de um salão de beleza e trabalhar como cabeleireira e maquiadora, ela é contratada para fazer performances em eventos como formaturas e aniversários. Ela se recorda que foi contratada pela primeira vez pela família de Xuxa Meneghel. Hoje, os eventos fazem parte da sua fonte de renda. Ela explica o porquê do interesse de quem contrata o seu show.

 

 

Larissa, hoje, é uma das drags mais conhecidas de Londrina. Mesmo assim, ela continua sendo parte de uma minoria que é muito julgada. Ao ser questionada se sofria – ou se ainda sofre – algum tipo de preconceito, ela tem uma resposta esclarecedora.

 

 

Você pode conhecer mais do trabalho de Larissa Point no Instagram e no Facebook.

 

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