Como é ser um LGBT negro em um país racista?

Texto, foto e áudios: Mateus Rosa

 

“Bicha estranha, louca, preta, da favela. Quando ela tá passando, todos riem da cara dela” – logo nos primeiros versos de sua música “Bixa Preta”, a cantora Linn da Quebrada já diz a que veio. Linn é mulher, transexual, negra e de origem periférica. Para pessoas como Linn, resistir não é uma opção: o número de assassinatos de LGBTs no Brasil em 2017 foi 30% mais alto que em 2016, de acordo com o GGB (Grupo Gay da Bahia). A população negra, por sua vez, é a mais atingida pela desigualdade e pela violência no Brasil, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

Jair de Jesus Junior é estudante de medicina e bissexual. Para ele, apesar dos números alarmantes, as discriminações por ser bi e negro vêm de forma velada, geralmente vistas como piadas inofensivas. “Por sermos negros, somos vistos como exóticos. O público LGBT não está isento da construção de padrões de beleza, e os negros não fazem parte desse padrão.”

Para a estudante de direito e também bissexual Andressa Prato, o padrão de beleza existente no meio LGBT não é diferente do padrão heteronormativo. “Isso é extremamente complicado, porque qualquer um que saia desse padrão pode cair na questão de ser fetiche. Como muitos homens gays brancos têm fetiche por homens negros por questões extremamente racistas.”

 

 

Se a situação dos LGBTs negros é delicada, tanto diante da sociedade quanto no próprio meio gay, a de quem não é branco, mas não chega a ser lido como negro, também não é simples. Rafael Faria de Oliveira é estudante de bacharelado em educação física, gay e negro de pele clara. Ouça o relato de Rafael.

 

 

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Rafael Faria de Oliveira: “Você escuta muito isso: ‘ah, você não é negro o suficiente ou não é negro, então você não pode se colocar como um'”

 

Anne Ramalho, conhecida como Anne Balinha, é lésbica e diz ser alvo de comentários e olhares racistas e lesbofóbicos quando sai de casa com o cabelo solto ou de mãos dadas com a esposa. “As pessoas não se contêm e sempre soltam olhares indesejáveis, discriminatórios. Nunca nos sentimos felizes em sair para comer algo, ou passear. Quando não é curioso olhando, é homem assediando. A cada vez, nos silenciam mais”, afirma.

 

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