Empreender: solução para jovens criarem seus empregos

Texto e foto: Gabriella Mendes

 

Em fases de transição, do cargo de estagiário para o de efetivo, de estudante a recém-formado, jovens olham para o empreendedorismo como uma solução para a realização profissional. Essa alternativa é uma oposição ao mercado de trabalho que registra taxa de 13,3% de desemprego, segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), considerado o trimestre encerrado de maio de 2018.

Com a falta de oportunidades para um emprego de carteira assinada e que coubesse na grade de matérias de um estudante, Lucas Werlang Meyer, 23, abriu sua primeira empresa de fotografia para eventos quando tinha 18 anos. “Nessa época cursava engenharia ambiental, um curso integral, portanto não conseguia entrar em um emprego com horário tradicional. Então um dos principais pontos de empreender nesse período foi a necessidade de ter uma renda.”

A realidade de Meyer é a mesma da maioria dos estudantes universitários ou recém-formados. Lucas Vital Costa da Silva, 30, estudante de engenharia de produção na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e empresário à frente da Mamute Eventos, também tem a dificuldade de ter uma renda fixa com a graduação no período integral. Dentro desse quadro, Silva usou experiências anteriores para criar a sua produtora de eventos. Ele enxergou um nicho dentro dos eventos universitários e criou um produto específico para o público. Hoje, sua empresa atende à região de Londrina e cria vagas direta e indiretamente.

O produto também é um diferencial do empreendimento criado por Felipe Scarinci Lanza, 26, um delivery online de diversos produtos. A ideia do seu negócio surgiu em 2016, enquanto assistia a uma série no computador. Lanza conta que sentiu vontade de comer Doritos e não tinha como comprar. A partir desse momento veio o insight para o negócio: “se alguém me entregasse um salgadinho e um refrigerante eu compraria”.

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Felipe Lanza, fundador do Carrinho Cheio com o primeiro veículo para entrega do app

 

Ele afirma que na época estava desempregado após a empresa de aviação em que trabalhava encerrar as atividades. “Naquele ano, estava passando por um momento de instabilidade pessoal e profissional, e enxerguei uma possibilidade de sair dessa situação abrindo meu próprio negócio.” Após dois anos, a ideia se transformou na maior rede de conveniência online do país.

O sucesso da empresa para Lanza é resultado não apenas de uma boa ideia, mas também da soma de trabalho e perseverança. “O dono do projeto precisa ser mentalmente forte e focado para que cada dia seja de crescimento e aprendizado.”

Lucas Meyer também valida a persistência como ponto chave para um empreendedor ter grandes chances de sucesso. “Não é porque deu errado uma vez, duas vezes, que o negócio não pode dar certo, é preciso prosseguir, adaptar aquilo que não deu certo e continuar.” Esta característica é uma das cinco mais importantes para empreender, segundo os entrevistados.

1. Perseverança – O negócio não vai ser sucesso em um ano, então se prepare e trabalhe para que a sua ideia continue no mercado;

2. Motivação diária – Todo dia você tem que ir trabalhar e acreditar no potencial do negócio e no seu potencial de empresário;

3. Colocar o dobro – Jamais abra um negócio pensando que vai se tornar um milionário do dia para noite, no começo vai ser difícil e seu investimento inicial vai sair do previsto, então esteja preparado, calcule no mínimo o dobro;

4. Medo da concorrência – A concorrência não faz na mesma vontade que você faz, por isso a motivação é tão importante, então não tenha medo da concorrência, acredite no seu trabalho e faça ele valer;

5. Já é sucesso – É preciso acreditar que sua ideia é sucesso, que sua ideia de negócio ou produto é sucesso ou vai ser um, caso tenha alguma dúvida, recue e melhore.

Essas características analisadas a partir da experiência prática dos empreendedores da reportagem também são destaques em materiais de órgãos reguladores como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), que tem cartilhas e cursos para quem quer empreender. De acordo com o documento, ser empreendedor é a capacidade de “ser um realizador que produz novas ideias através da congruência entre criatividade e imaginação”.

O empreendedorismo pode ser aplicado em diversos modelos de negócios, uma microempresa, como é o exemplo dos entrevistados, ou uma startup. Este modelo foi responsável por construir empresas como Uber e Buscapé. Segundo a ABStartups (Associação Brasileira de Startups), startups são empresas em fase inicial que desenvolvem produtos ou serviços inovadores, com potencial de rápido crescimento. No Brasil são registrados mais de 9.000 startups como indica o Censo StartSe 2017 e aproximadamente 70% estão formalizadas.

 

Gráfico

Dados do Censo StartSe 2017

Aprenda os principais conceitos do mundo empreendedor

1. “Coworking” X “Meetup”

No “coworking”, você alia um escritório de baixo custo com “networking”. Todos os empreendedores trabalham em uma mesma área – ou várias áreas conjugadas – dividindo custos de um local que traz não só facilidades e serviços, mas também a chance de conhecer pessoas similares e fazer negócios internamente. Com preços que variam de R$ 200 a R$ 800, os escritórios compartilhados oferecem internet, telefone, secretária compartilhada, sala de reunião, serviços e impressão. O “meetup” é um encontro informal em que as pessoas conversam de pé, facilitando a circulação e o “networking”. A ideia vem do Vale do Silício, em que eventos como esse são tão comuns quanto um happy hour.

2. Incubadora X Aceleradora

Basicamente a diferença está entre uma apoiar um negócio tradicional e a outra um inovador, escalável e repetível (startup). Aceleradoras, por sua vez, são focadas não em uma necessidade prévia, mas sim em empresas que tenham o potencial para crescerem muito rápido. Justamente por isso, aceleradoras buscam startups escaláveis (e não somente uma pequena empresa promissora).

3. Startup X Microempresa

Uma startup é uma empresa em fase inicial que desenvolve produtos ou serviços inovadores, com potencial de rápido crescimento. O termo “start” vem do inglês e significa começo, início. A microempresa será a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário, devidamente registrados nos órgãos competentes, que aufira em cada ano-calendário a receita bruta igual ou inferior a R$ 360 mil.

4. Plano de Negócios X Modelos de Negócios

O plano de negócios é como a empresa se estrutura para organizar suas ações. Como um restaurante, o plano pode ser baseado em custos com alimentos, pessoal e marketing. O modelo de negócios é a forma como uma empresa cria, entrega e captura valor. É a fórmula que transforma time, produto e gestão em receita, lucros e retorno para os acionistas.

 

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