Na preservação do antigo, museus contam dias futuros

Texto: Bárbara Borowski

 

IMG-20180912-WA0000

Tempo contado no Museu Histórico de Londrina (Crédito: Bárbara Borowski)

 

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, transformou-se em cinzas na noite de 2 de setembro. Tratado como tragédia anunciada, o episódio teve repercussões mundiais. Em Londrina, a Associação de Amigos do Museu Histórico de Londrina (Asam) organizou neste mês o Vem Para o Museu que Ele É Seu. O objetivo foi explicar a situação de lá e em âmbito local.

“De cinco setores [do Museu Histórico], em três falta pessoal: laboratório fotográfico, imagem e som e documentação em papel”, explica a diretora Regina Alegro. Objetos tridimensionais e ação cultural e educativa ainda funcionam regularmente, muito por ajuda de voluntários. “O voluntário típico se engaja a uma causa com a qual não tem vínculos. Mas aqui temos outro tipo, que é o de ex-funcionários aposentados que seguem trabalhando. Isso porque o estado ainda não abriu concurso para repor essas vagas”, diz.

O acervo de 1,2 milhão de itens é mantido com R$ 2.000 mensais. O dinheiro vem da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ou seja, o Museu Histórico não estabelece relação direta com o governo. Ele é de responsabilidade administrativa da UEL, assim como o Museu Nacional era da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Falta a mídia explicar as várias necessidades das instituições públicas. As universidades estão sucateadas. Não seria o reitor da UFRJ repassar R$ 1.000 a mais que mudaria algo”, critica a professora de biologia da UEL Ana Vieira. Ela é responsável por um acervo botânico no campus de 50 mil exemplares. “O  prédio é novo, tem climatização e extintores, o material é guardado em armários de aço. Está relativamente tranquilo, mas também sofremos de falta de pessoal”, conta.

 

IMG-20180912-WA0023 (1)

O prédio do Museu Histórico de Londrina é de propriedade da prefeitura; água e luz são bancados pela cidade (Crédito: Fernando Buchhorn Jr.)

 

Desde o incidente no Rio, a diretora do Museu Histórico notou que, apesar da mesma quantidade de visitas, que totalizam 50 mil por ano, a atitude mudou: “Agora as pessoas não vêm só para olhar a coleção, perguntam se há risco de ocorrer um incêndio como o do Museu Nacional”. Alegro diz estar tranquila em relação ao prédio, que passa por inspeções regulares, mas não pela falta de pessoal.

“Nós, enquanto instituições, não estamos recebendo o necessário. Não é pontual o incêndio no Museu Nacional. Todos veem isso. É uma culpa coletiva”, explica Vieira. Para as 30 pessoas que compareceram ao evento, a diretora denunciou: “Há várias formas de matar um museu. Pode ser de uma só vez, impactante. Nossa morte no Museu Histórico de Londrina é outra. Somos mortos diariamente, vítimas do descaso”.

 

LEIA MAIS

Bailarinos da Funcart relatam por que ‘vivem a dança’

Conheça as (incríveis) coleções de moradores de Londrina

Em sete dias, a bailarina Sônia Secco foi da morte à vida

Londrina é ponto de encontro para busólogos, os apaixonados por ônibus

Futebol, arte e cerveja: a história do Bar Brasil

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s