Organizações defendem Igreja Católica atuante em relação às pautas sociais

Texto e áudio: Matheus Camargo

 

A Igreja Católica suprimiu o direito feminino por muitos anos, foi condescendente com o machismo e até hoje tem homens como seus principais líderes – os cargos de papa, padre e bispo não podem ser ocupados por mulheres.

Porém, movimentos sociais têm assumido pautas fundamentais dentro da igreja e buscado espaço para provar que “igreja não é só para rezar”.

“Esse lado social da igreja, as organizações que atuam com esse rosto social dela sempre atuam de forma coletiva, nunca é individual. Percebemos que os movimentos mais conservadores têm essa coerção mais intimista, uma relação muito própria, um Deus que é muito ‘eu’ e não voltado para todos, que pensa no bem comum”, disse Márcia Ponce, coordenadora de projetos sociais da Cáritas, entidade que trabalha em defesa dos direitos humanos, da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável.

“É importante que a igreja se posicione sobre questões sociais, ainda mais no momento em que estamos vivendo, de tanto preconceito, tanta homofobia, racismo, xenofobia, machismo, são temas muito caros, estamos falando sobre pessoas. Defendemos o direito das pessoas, entendemos que a igreja precisa se posicionar em relação a isso e que isso nada mais é do que vivenciar a postura de Jesus Cristo no Evangelho.” O papa Francisco tem defendido essa posição.

 

 

Aborto

Outro grupo que ganhou força nos últimos anos – com pautas ainda mais “radicais” para os dogmas católicos – foi o Católicas pelo Direito de Decidir. Defensoras abertas do direito ao aborto, por exemplo, expõem suas opiniões com lideranças regionais e nacionais.

“Uma pesquisa feita pelo Ibope em 2017 revelou o crescimento no número de pessoas que entende que a mulher deve ser a única responsável na decisão do aborto, o crescimento notável no percentual que discorda da prisão da mulher que abortou e que a maioria da população é favorável à educação sexual nas escolas”, enviou por meio de nota a entidade.

O Católicas pelo Direito de Decidir mantém uma coluna na revista Carta Capital, além de ter lançado um ebook com todos os dados da pesquisa de 2017. “O ebook com os dados da pesquisa é material fundamental para apoiar os debates, conversas, pesquisas e ações para que mentalidade seja mudada. É um momento de investida fundamentalista sobre o corpo e a vida das mulheres.”

 

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