Onde estão os professores negros nas universidades?

Texto e vídeo: Ana Carla Dias

 

Dentre as pautas sociais que são abordadas com frequência em rodas de discussões, a busca por maior representatividade negra se apresenta recorrente como tema. É desejada representatividade em novelas, filmes, séries e lugares de poder no meio profissional. Mas quando se trata de educação dentro de salas de aula, será que os alunos negros enxergam essa semelhança com seu professor?

A importância de se identificar com seus pares na hora de se preparar para uma futura profissão pode ser significativa na vida acadêmica de um estudante.

Eles se espelham em professores não somente por seus currículos, mas também há uma necessidade de se enxergar em suas histórias de vida, que os levaram até ali.  Mateus Fraga, 24, é estudante de arquitetura e urbanismo e também colaborador do Neab (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros) da UEL (Universidade Estadual de Londrina), onde atua em projetos de ações de permanência de estudantes negros. Para ele, a entrada na universidade foi primordial para se conscientizar sobre questões de representatividade. “Talvez tenha tido um estímulo dos professores negros que tive na minha infância – não me lembro em quais séries. Eles podem até ter tentado me passar esse aprendizado, mas, como não tinha essa mentalidade que tenho agora na universidade, não soube absorver essa representatividade do meu professor negro, na época poderia ser qualquer professor.”

Dentro da UEL, onde o sistema de cotas foi implantado em 2004, o número de estudantes negros aumentou significativamente, mas em salas de aula ainda não são vistos tantos rostos negros lecionando. Os cotistas que se autodeclararam negros no vestibular caminham em seu processo de formação e, brevemente, poderão dar aulas em escolas e universidades. No entanto, para esses estudantes, o fato de ter tido um número reduzido de professores negros pode vir a ser também uma desmotivação para sua aspiração ao meio acadêmico.

A professora de língua portuguesa e ativista do movimento negro Maria de Fátima Beraldo, 62, busca em sala de aula incentivar seus alunos a se posicionar politicamente e cada vez mais avançar em seus estudos. “Quando entrei na universidade não via representatividade, era a única aluna negra da minha turma”, diz Maria de Fátima.

 

 

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