Possível corte de bolsas em 2019 amplia desmonte na educação

Texto e áudio: Lucas Ribeiro

 

pesquisadores

Pesquisa científica no Brasil pode sofrer corte orçamentário que resultará em quase 200 mil bolsas interrompidas (Crédito: Fiocruz/Peter Ilicciev)

 

Recentemente pesquisadores brasileiros foram surpreendidos com uma notícia nada agradável. Em 1º de agosto, a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) emitiu uma nota informando a redução de R$ 500 milhões no orçamento para o ano de 2019. De acordo com a agência de fomento à pesquisa científica no país, essa redução orçamentária implicaria no corte de 93 mil bolsas de pós-graduação (mestrado e doutorado) e de outras 105 mil de programas de formação de professores da educação básica.

Esse foi mais um caso do desmonte, por parte do poder público, no que diz respeito à educação. O ensino público brasileiro sofre com falta de livros didáticos em salas de aula, de professores, de reajuste salarial, entre outros.

Na UEL (Universidade Estadual de Londrina) o cenário de precarização é o mesmo. De acordo com a diretora de pós-graduação da UEL, Silvia Márcia Ferreira Meletti, parte do valor repassado pelo governo federal para a pós-graduação vai para manutenção do curso e outra parte é destinada às bolsas. Ela teme o possível corte, mas acredita – com “muita luta” – na pesquisa científica no país.

Silvia ainda afirmou que a precarização das universidades está relacionada com a não contratação efetiva de professores. “Tanto a graduação quanto a pós-graduação sofrem com a não contratação de professores, pois muitos se aposentam e não há reposição nesse quadro de pessoal. E a contratação de professores temporários, que vem sendo recorrente para suprir essa falta de professores, é a precarização da universidade e também do docente, uma vez que esses professores não podem lecionar aulas [na pós-graduação]”, disse a diretora.

Após a nota emitida pela Capes, o MEC (Ministério da Educação) garantiu que o pagamento das bolsas não será suspenso. Mas o fantasma da crise da educação pública e do incentivo à pesquisa no Brasil ainda ronda professores e alunos.

O sonho que contorna a precarização

Os programas de pós-graduação não oferecem bolsas para todos os alunos. Muitos contam com o auxílio da família ou tentam conciliar os estudos com um emprego. Gabriel Darcin Alsouza, 26, é estudante do mestrado em comunicação na UEL. Ele não conseguiu bolsa para o mestrado e, por conta disso, além de receber ajuda dos pais, faz trabalho de freelancer em uma empresa de comunicação para se manter em Londrina.

 

 

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