A dificuldade de locomoção dos estudantes da UEL

Texto, foto, vídeo e áudio: Heloisa Keiko

 

Milhares de estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) utilizam o transporte público diariamente para chegar ao local de estudo. Até 2017, os alunos tinham direito ao passe livre – que garantia a isenção da tarifa para a utilização do serviço de ônibus para a universidade. Mas esse benefício, que era garantido pelo município de Londrina, deixou de ser concedido e foi substituído pelo passe estudantil, em que os universitários (com exceção daqueles que participam de algum programa social do governo que comprova renda) devem pagar metade do valor da tarifa, que custa R$ 3,95.

 

Foto 1

Mesmo com reclamações, estudantes utilizam o transporte público para ir à UEL

 

Apesar da perda de benefícios e da necessidade de desembolsar quase R$ 4 diariamente para ir e voltar do lugar em que estudam, os estudantes da UEL sentem que o serviço, que deveria ter melhorado com o aumento do número de pagantes, piorou. Além da redução do número de veículos que atendem a universidade, muitos dos ônibus – até mesmo aqueles que operam em horários de grande fluxo, como na hora do almoço – operam sem cobrador. Milena Gomes, 21, é estudante do curso de design de moda na UEL. Ela pega dois ônibus diariamente, e passa cerca de uma hora no percurso.

 

 

João Soares, 18, passa por problemas similares. Calouro de ciências sociais na UEL, estuda após o trabalho e leva cerca de uma hora para chegar até a universidade. Depois, para voltar para casa, precisa pegar três ônibus. Para ele, o principal problema é a redução da frota no período noturno e, consequentemente, o aumento da espera dos usuários do transporte público.

 

 

Segundo a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), essa redução na quantidade dos horários dos ônibus foi planejada. A companhia calculou uma queda de 8% no número de usuários mensais em 2017. Com isso, 320 mil viagens deixaram de ser feitas por mês. O gerente de transportes da CMTU, Wilson de Jesus, acredita que essa queda se deu pela concorrência com os aplicativos de transporte, como o Uber. Para ele, a solução é a desoneração do transporte público. “Sabemos que o preço da passagem de ônibus em Londrina não é barato. É justo, mas não é barato. É preciso fazer uma revisão da carga tributária que cai sobre o sistema do transporte público, dos custos despendidos pela Grande Londrina [empresa que presta o serviço] e que o governo comece a olhar para a mobilidade urbana como um direito social previsto na Constituição Federal”, afirma o gerente.

 

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