A identidade de gênero e o reconhecimento pessoal

Texto e áudio: Adrian Gustavo

 

Dentro da sociedade existe muita confusão entre os conceitos de gênero e sexualidade. Até para a psicologia esses são temas controversos, com várias teorias que explicam esses fenômenos de maneiras até mesmo contraditórias, como explica a mestre em psicologia Luana Molina. “Dentro da psicologia existem várias correntes. A linha que defendo é uma linha mais construtivista, que diz que a sexualidade é construída pela nossa cultura e pelas normas sociais.”

Para a abordagem defendida por Luana é particularmente importante entender a relação entre o sujeito e o ambiente. Através das interações da pessoa com a sociedade, ela vai aos poucos apreendendo as normas sociais estabelecidas e construindo a sua concepção de “eu”.

Nesse sentido a sexualidade é definida como a maneira que a pessoa se relaciona sexual e afetivamente com os outros. Já o conceito de gênero está ligado à identificação. O gênero é a identidade sexual com a qual a pessoa se reconhece.

Dentro dos estudos de gênero existem os conceitos de cisgenereidade e transgenereidade. A pessoa cisgênero é aquela cuja identidade é a mesma do seu sexo biológico. Já a pessoa transgênero é aquela que não se identifica com o seu sexo biológico, em geral se reconhecendo com o sexo oposto. No áudio abaixo, explicamos um pouco mais sobre a transgenereidade.

 

 

O estudante de ciências sociais Lorena Olaf Furter se identifica com o gênero fluido. Ele conta que começou a se identificar com o gênero fluido quando tinha por volta de 17 anos. “Eu me sentia muito masculina e isso foi um baque muito grande para mim porque sentia que precisava sair do armário. Foi quando conheci o termo gênero fluido que explicava bem como me sentia.”

 

Foto Lorena

Em seu canal no YouTube, Lorena discute questões ligadas à identidade de gênero (Crédito: Reprodução)

 

Lorena conta que, assim como acontece com os demais homens e mulheres trans, ele também sofre muito preconceito, em grande parte porque as pessoas não-binárias ainda sofrem de muita invisibilidade na sociedade. “A maioria das pessoas não conhece e não entende e por isso não respeita. Prefiro que me chamem por pronomes masculinos, mas só costumam fazer isso perto de mim. A minha família não entende muito bem a diferença entre gênero e sexualidade e, quando contei pra eles, eles ficaram achando que eu era bissexual e isso me deixa muito frustrada até hoje.”

 

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