Entenda o que é o conservadorismo e seus desdobramentos

Texto e áudios: César H.S. Rezende

 

“Liberal na economia e conservador nos costumes.” É assim que se define o administrador Wagner Rodrigues, 37, quando questionado sobre seu posicionamento político. Casado, criado em família católica, Wagner diz que nem sempre foi assim. “Tive uma fase na qual era mais progressista, não tinha princípios ou padrões, depois, por motivos filosóficos, acabei voltando ao caminho da religião.” O administrador defende que pautas como aborto, questões LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), entre outras, devem ser debatidas de forma mais complexa, afinal, são assuntos que tratam da dignidade humana.

Wagner enxerga nas figuras de Margaret Thatcher e Winston Churchill, ex-primeiros-ministros do Reino Unido, os exemplos que considera um ideal conservador. Para ele, no Brasil, os políticos que se definem liberais pouco sabem a respeito do tema. “Duvido que alguns desses liberais conservadores leram autores a respeito como Rousseau, Hobbes.”  Quanto à economia, Wagner é taxativo e defende pouca ou nenhuma intervenção do governo, já que os países que obtiveram sucesso são mais liberais economicamente, afirma.

 

 

Segundo o sociólogo e professor Marco Rossi, o conservadorismo é o apego à tradição, à ligação ao divino, é tratar como naturais aspectos como a exclusão do outro, é negar o direito ao espaço público. Marco ainda ressalta que o movimento ressurge como resposta a questões ligadas à ascensão da classe social mais baixa e a pautas ligadas aos movimentos identitários. “De diversas maneiras, os mais pobres começaram a fazer parte do mercado de consumo, passaram a ocupar postos de trabalho que historicamente não eram designados a eles, ganharam uma amplitude no espaço público no que diz respeito à representação política e a seus movimentos sociais. Além disso, esse discurso conservador sempre existiu, apenas estava em banho-maria”, ressalta.

 

IMAGEM 01 - As redes sociais ao mesmo tempo em que serve como espaço, é violenta, já que não há filtros para que você possa participar desse espaço

As redes sociais colaboram para reforçar o pensamento conservador (Crédito: Marcela Espinoza)

 

O fato de o movimento conservador possuir muitos adeptos jovens é explicado por Marco pela questão das redes sociais. Ele é categórico ao afirmar que “esses jovens com ideal conservador flertam com o fascismo e as redes sociais, ao mesmo tempo em que servem como espaço e dão voz àqueles que nunca tiveram, são violentas, já que não há filtros para que você possa participar desse espaço”. O professor diz temer essa ameaça conservadora, pois “são expressões ditatoriais dentro de um espaço democrático frágil, e isso é grave, é difícil dizer aonde vamos chegar”.

 

 

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