Precisamos falar de masturbação com nossos filhos

Texto e infográfico: Vitor Dias

 

Foto

“Deanan”, Gustav Kimt (Crédito: Reprodução/Wikipedia)

 

Você já se sentiu envergonhado(a) quando aquela roda de amigos entra no assunto “masturbação”? E em casa? A situação piora, não é mesmo? Pois é, um questionário aplicado pelo PRETEXTO mostra que apenas 14% dos 297 entrevistados se sentem à vontade para falar sobre masturbação com a família e os amigos.

A psicóloga e autora do livro “Educação Sexual no Dia a Dia”, Mary Neide Figueiró acredita que a influência do ambiente sobre as crianças é fundamental para que o assunto entre em debate. “Na maioria das famílias, os pais não conversam sobre o corpo, sobre de onde vêm os bebês e outras questões sexuais. Esse silêncio passa para a criança uma mensagem subliminar: ‘sexo é um assunto do qual não se conversa’.”

Divulgada no Facebook, a pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 12 de junho. Ao todo 297 pessoas responderam ao questionário, aplicado por meio do Google Forms. Destes, 38% tinham entre 18 e 19 anos, 56% estavam inclusos na faixa etária entre os 20 e 30 e outros 6% tinham menos de 18 ou mais de 30 anos.

 

INFOGRÁFICO

 

Mesmo com grande parte dos entrevistados não conversando abertamente sobre o tema, 81% acreditam que o debate na escola e em casa é importante. Figueiró explica que os filhos têm direito de saber tudo sobre seus corpos e que a falta de diálogo pode causar problemas mais tarde. “Toda criança vai tocar em suas partes íntimas, é natural. Ao se tocar, a criança vai sentir sensações agradáveis, vai desejar fazer outras vezes. Ter conhecimento de que esse ato é comum, lhe produz alívio, sem sentimento o da culpa. Vivenciar esse sentimento de culpa pode levar a dificuldades na vivência do sexo mais tarde”, detalha.

Outro dado levantado pela pesquisa é o de que 85% das pessoas acreditam que a masturbação faz parte da autoaprendizagem sexual. O número, segundo Figueiró, é bom já que, “na juventude, a masturbação pode auxiliar no conhecimento do próprio corpo e na obtenção do orgasmo. Nos garotos, pode auxiliar no aprendizado para conter a ejaculação, retardando o orgasmo, exercitando o autocontrole. Assim como para as garotas é importante que aprendam a se masturbar, a obter prazer sozinhas”.

A psicóloga ainda faz um alerta: “Ao conversar sobre o autoerotismo, é uma oportunidade para falar com os pequenos sobre abuso sexual. Dizer claramente que ela/e precisa proteger seu corpo e que se alguém quiser tocar em seu órgão genital, não pode deixar pois é errado. Deve-se avisar que ela deve correr, gritar e pedir socorro. E que, se apesar de tudo, ocorrer abuso, que ela deve procurar alguém de sua confiança”.

 

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