Socorro mãe! A difícil hora de sair da casa dos pais

Texto: Daiane Araújo

 

O estudante de jornalismo Vitor Dias, 23, mudou-se para Londrina aos 19 anos para cursar a graduação. Ele é natural de Botucatu, interior de São Paulo, e contou que lá não tinha opção para o curso desejado, então mudar de cidade foi algo inevitável. “Como na minha cidade não tinha nada ligado às áreas que queria, comecei a prestar provas em outras cidades, cheguei a passar em relações internacionais na Unesp [Universidade Estadual Paulista], mas optei pela UEL [Universidade Estadual de Londrina]”, afirmou.

 

Foto Vitor

Vitor, à esquerda, com os pais em uma das idas a Botucatu (Crédito: arquivo pessoal)

 

Dias contou que não conhecia Londrina e foi tudo muito novo, inclusive para os pais, que tiveram que se adaptar com a ausência constante do filho. “No dia da mudança, a minha mãe foi embora chorando.” Mas o jovem disse que se adaptou rapidamente à cidade, e foi ficando tudo mais fácil. Hoje ele já está no último ano da graduação e se preparando para novos desafios.

 

 

Nicla Lucchetta, 23, passou por essa experiência duas vezes, a primeira aos 17 anos para cursar farmácia na UEL. Ela contou que o início foi bem difícil, já que no primeiro ano morou em um pensionato. “Foi muito complicado, tinha que dividir a casa com mais nove meninas que nunca tinha visto antes, e não conhecia ninguém em Londrina, mal sabia pegar ônibus, então a primeira semana foi horrível”, afirmou.

 

foto - Nicla 1

A mãe de Nicla é proprietária de uma farmácia em Pedrinhas Paulista (SP), então o cenário do trote da recém-aprovada no vestibular foi a caráter (Crédito: arquivo pessoal)

 

Segunda Nicla, a dificuldade maior foi o pensionato, pois não se adaptou com o sistema da casa e tinha pouco convívio com as outras meninas, sentindo-se bem sozinha.  “Também tinha várias restrições, não podia levar amigos nem meus pais lá, não me reconhecia naquele lugar, não era minha casa, lá era um pensionato onde o meu quarto passou a ser a minha casa, e isso foi uma péssima experiência”, completou a farmacêutica.

Depois de um primeiro ano conturbado, a jovem foi dividir um apartamento com mais duas meninas, onde ficou bem melhor. “Aí vieram novos desafios e aprendizados, não tinha mais um mediador, que era a dona do pensionato. Tínhamos que lidar com tudo, desde conflitos pessoais até coisas banais como desentupir um ralo de banheiro. Foi um aprendizado enorme, no qual pude conhecer muito de relações humanas, além da amizade que fiz com as meninas. Nos tornamos uma verdadeira família.”

 

Foto Nicla 2

Nicla faz residência farmacêutica na saúde da mulher, e gosta muito do que faz (Crédito: Daiane Araújo)

 

Ela ficou no apartamento até se formar, em 2017, quando voltou para a casa dos pais, porém, meses depois, retornou Londrina, pois passou em uma seleção para iniciar residência farmacêutica em um hospital da cidade. Com mais maturidade, a experiência foi bem diferente.

 

 

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