Como é o serviço militar obrigatório no Brasil

Texto, foto e áudios: Guilherme Bernardi

 

Todos os anos, 1,3 milhão de jovens brasileiros se alistam para o serviço militar obrigatório, segundo dados do governo federal de 2017. O alistamento é um dever para todos os homens brasileiros no ano em que completam 18 anos. Em Londrina, eles são cerca de 4.000, dos quais 160 são selecionados para integrar as quatro turmas do TG (Tiro de Guerra) da cidade por nove meses.

O subtenente Silvio Barreto explica que as etapas de seleção são várias e incluem um sistema próprio do Exército, que reduz todos os candidatos inscritos aos que serão avaliados presencialmente para, então, definir os que vão servir.

 

Foto 1

Desde 2017 Barreto é o comandante-geral do TG londrinense

 

 

Cada turma tem um instrutor responsável e eles são trocados a cada dois anos. Após servir em 2015, na cidade paulista de Santa Cruz do Rio Pardo, Adriano Borba de Jesus, hoje calouro de música da UEL (Universidade Estadual de Londrina), foi auxiliar de instrução. Ele deixou o Exército, mas pretende retornar, após a graduação, como músico.

 

 

Durante os meses que estão a serviço do Exército, a rotina dos jovens é modificada e passa a incluir a ida ao TG, de segunda a sexta-feira – em alguns sábados eles também possuem atividades –, das 6h às 8h. Pelo TG ser considerado uma espécie de escola e não um quartel, além de atividades físicas, eles têm aulas e palestras, segundo Barreto.

 

 

O calouro de relações públicas da UEL Thiago Andriopoulos é um dos 160 selecionados para servir no ano de 2018. Apesar das dificuldades em conciliar os estudos e o serviço militar, ele não se arrepende e disse que inclusive foi um dos voluntários. Victor Morita, aluno do terceiro ano de relações públicas também da UEL, disse que o começo foi muito difícil. Ele acordava às 5h para estar no TG às 6h, estudava de manhã na universidade e depois trabalhava à tarde. Essa rotina, que incluía pegar seis ônibus por dia, durou cerca de cinco meses e ele teve que deixar o trabalho, pois “precisa se formar e o serviço militar é obrigatório”.

Se disciplina e hierarquia são valores muito caros ao Exército como um todo, no TG a situação não é diferente. Para que os jovens saiam “melhor preparados”, Barreto diz que a formação deles é moldada com os fatores “recompensa e punição”.

 

 

Um exemplo de recompensa é o mural com os melhores soldados do mês, algo que, segundo Barreto, foi levado do Exército para as empresas que têm quadros com o colaborador do mês. Já um tipo de punição são os sábados nos quais os atrasados da semana têm que ir ao TG.

 

LEIA MAIS

A dificuldade de locomoção dos estudantes da UEL

Entenda o que é o conservadorismo e seus desdobramentos

O que Bolsonaro fez para ser rejeitado pelas mulheres?

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s