Voltar à universidade depois dos 40: a realização de um sonho

Texto, fotos e áudios: Mariana Sanches

 

A primeira graduação que Teresa Banaki, 52 anos, escolheu foi química. Ela fez um ano do curso na UEL (Universidade Estadual de Londrina) e acabou desistindo, pois não era bem aquilo o que queria: na verdade, Teresa sempre sonhou em fazer algo voltado para a área artística. Após abandonar química, ela passou a cursar ciências sociais, também na UEL. No entanto, assim como da primeira vez, ela percebeu que não se interessava pelo curso.

Teresa, então, prestou um concurso público da UEL e optou por trabalhar no HU (Hospital Universitário), no período da tarde. Assim, ela prestou vestibular novamente, passou em educação artística e trancou ciências sociais. Na época, o curso era integrado com música e artes cênicas. A correria do trabalho e dos estudos, no entanto, impediam que Teresa realizasse todas as atividades do curso. Ela voltou a estudar ciências sociais e concluiu a faculdade em 1994.

Em 2006, casada e trabalhando, Teresa revolveu que era a hora de realizar o sonho de muitos anos. Ela prestou artes visuais na UEL, passou e concluiu o curso em 2010. Para ela, fazer a tão desejada graduação de artes foi uma experiência de grande aprendizado. Apesar da correria e das várias noites que virou fazendo trabalhos, ela se sente realizada.

 

Teresa Banaki

Teresa voltou à universidade aos 40 anos para realizar um sonho: cursar artes visuais

 

Quadros pintados por Teresa decoram a sua casa

 

 

Teresa se encaixa nos dados divulgados pelo Censo da Educação Superior do Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que revelou que entre 2011 e 2013, o número de alunos com mais de 40 anos nas instituições de ensino superior aumentou 27,7%. De acordo com o estudo, dos cerca de 7,1 milhões de universitários brasileiros, mais de 641 mil tinham entre 40 e 59 anos.

Sônia Banaki, 55 anos, tem uma história semelhante. Ela é professora aposentada de geografia e concluiu o curso na UEL em 1985. Na época, Sônia trabalhava e não tinha tempo de participar de todas as aulas de campo, o que ela lamenta, já que era a sua parte preferida da graduação.

Em 2016, depois de mais de 30 anos, Sônia resolveu voltar à universidade. Ela escolheu o curso de letras espanhol, pois sempre se interessou pela língua hispânica. Segundo ela, a maior dificuldade até agora é a gramática. “O início da gramática é bem complicado. Nunca foi o meu forte no português e agora vou ter que me virar para aprender em espanhol. Mas por enquanto está tranquilo”, ela afirma.

Sobre as diferenças entre a primeira graduação e a segunda, Sônia acredita que agora o ritmo é mais tranquilo, pois pode se dedicar mais aos estudos.

 

Sônia Banaki 1

Sônia se formou em 1985 e agora está de volta à universidade

 

Sônia Banaki 2

Professora aposentada, Sônia se dedica ao curso de letras espanhol

 

 

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