Invisibilizado, futebol feminino fica de escanteio no Brasil

Texto, foto e áudios: Raquel Pimentel

 

O Brasil recebeu no final de setembro um título inédito para o esporte mais tradicional do país. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) elegeu a alagoana Marta, pela sexta vez, a melhor jogadora de futebol do mundo. É a primeira vez que um atleta – de qualquer gênero – recebe o hexa na premiação, considerada a mais alta homenagem que um esportista pode ganhar (Cristiano Ronaldo e Lionel Messi levaram o “The best” cinco vezes cada).

A notícia pode ser nova para muitos já que pouco se leu, viu e ouviu nos tradicionais veículos de comunicação do país. Nas capas dos principais jornais impressos brasileiros publicadas no dia seguinte, quando aparecia, Marta era coadjuvante perante Luka Modric, jogador croata que recebeu o título pela primeira vez. “Modric no topo do mundo. Marta é hexa”, dizia o título da tímida matéria abaixo da dobra no O Estado de S. Paulo. No Jornal Nacional, menos de dois minutos foram destinados ao fato.

A goleira brasileira Yasmin Toledo Milani, 25, jogou por dez anos em equipes brasileiras do interior de São Paulo e hoje defende o clube italiano Vip Tolombo Calcio A5. Ela acredita que, caso o premiado brasileiro fosse um homem, a história seria diferente.

 

 

Em férias no Brasil, a goleira treina no ginásio da cidade de Bauru (SP)

Em férias no Brasil, a goleira treina no ginásio da cidade de Bauru (SP)

 

A falta de visibilidade midiática é apenas um dos desafios enfrentados pelo futebol feminino no Brasil.  No ano passado, a partida de abertura do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino contou, no total, com 420 ingressos vendidos, gerando um prejuízo de R$ 5.300. O número é quase 40 vezes menor se comparado às disputas dos homens já que, em 2016, o Brasileirão masculino obteve uma média de 15.293 espectadores pagantes por partida.

Não se vê ao vivo e nem na TV. Em 2017, a SporTV, canal fechado do Grupo Globo, transmitiu dez partidas do total de 140 do campeonato. Realidade bem diferente do Campeonato Brasileiro de Futebol Masculino, cujo total de 380 jogos foi integralmente transmitido pelos canais da emissora, que gasta R$ 1,3 bilhão com o Brasileirão masculino todo ano.

Segundo Milani, a falta de interesse tanto da mídia quanto das pessoas no futebol feminino se deve ao baixo investimento nos clubes, ao machismo e a outros fatores. Ela aponta que algumas medidas, como a decisão da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) de que os clubes de futebol do Brasil que não tiverem um time feminino disputando competições nacionais estarão proibidos de disputar a Copa Libertadores a partir de 2019, tentam reverter esse quadro, “mas ainda tem muita coisa pra ser feita”.

 

 

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