Os perigos de remédios e procedimentos para emagrecer

Texto, foto e áudios: Leonardo Pedroso

 

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Automedicação e uso de hormônios para perda de peso podem causar problemas cardíacos, deformidade óssea e dependência

 

A obesidade é uma doença que atinge 20% da população brasileira, segundo dados de 2018 divulgados pelo Ministério da Saúde. O sobrepeso apresenta número ainda maior e faz parte da rotina de 54% dos brasileiros. A falta de uma rotina de atividades físicas e a excessiva ingestão calórica são as principais causas desses números. Buscando formas rápidas e simples de reverter quadros de obesidade, cada vez mais pessoas recorrem a procedimentos que prometem o emagrecimento, como o uso de hormônios e medicamentos.

O professor e pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) Rui Curi afirma que o uso do hormônio Tri-iodotironina como recurso dietético é prática comum. “O hormônio da tireoide provoca calor no organismo e aumenta a motilidade intestinal, fator que causa a perda de peso. Pode parecer eficaz, mas tem impacto negativo para órgãos sensíveis à ação hormonal, como o coração. O uso em excesso também pode causar irritabilidade e aumento da ansiedade”, explica o professor.

Outro procedimento inadequado utilizado por pessoas que buscam a perda de peso – e ganho de massa muscular – é o uso do hormônio GH, conhecido como hormônio do crescimento. “Um dos efeitos colaterais é o desenvolvimento de prognatismo mandibular”, ressalta Curi.

 

 

Além dos hormônios, outra prática comum é o uso de medicamentos para emagrecer. Segundo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), o tratamento farmacológico deve ser utilizado apenas quando há falha na perda de peso sem o uso de remédios e quando o paciente apresenta número de Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30.

Nicla Renata Lucchetta, farmacêutica formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que a maioria dos medicamentos para emagrecer atua na disponibilidade de neurotransmissores no cérebro responsáveis pela sensação de bem-estar e tranquilidade. “O uso aleatório desses medicamentos pode causar problemas como a dependência”, alerta a farmacêutica.

 

 

Segundo a farmacêutica, o medicamento deve ser adjuvante no tratamento para emagrecer. Para o tratamento ser eficaz, é necessário uma mudança de hábitos alimentares e acompanhamento com profissionais. “As pessoas tendem a recorrer ao medicamento para emagrecer como opção milagrosa, que vai resolver o problema de forma rápida e sem esforço. E isso não acontece”, completa a profissional.

 

 

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