A polarização política no Brasil e a ascensão de Bolsonaro

Texto e áudios: Matheus Zampieri

 

Nos últimos anos, o Brasil vem passando por um momento de polarização política. Talvez, o ápice dessa polarização tenha sido atingido durante as eleições de 2018. Neste ano, tornaram-se comuns nas redes sociais discussões entre amigos e até parentes sobre assuntos de cunho político. E várias dessas discussões foram marcadas por ofensas, informações falsas e extremismos, com cada um defendendo a todo custo o “seu lado”.

O professor e filósofo político Clodomiro Bannwart acredita que a polarização na política sempre existiu e que ela apenas se tornou mais evidente durante o período de eleições.

 

 

Acompanhado de agentes da PF e da mulher, Bolsonaro vota no Rio.

Jair Bolsonaro votando no Rio de Janeiro durante o segundo turno das eleições de 2018 (Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil)

 

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República após receber mais de 57 milhões de votos (55,13% dos válidos) e superar Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições de 2018. No primeiro turno, Bolsonaro já havia recebido mais de 49 milhões de votos (46,03% dos válidos). Clodomiro acredita que a aversão de uma grande parcela da população brasileira ao Partido dos Trabalhadores e a descrença dos brasileiros no sistema político do país são alguns dos principais motivos da ascensão de Bolsonaro.

 

 

No município de Londrina, Jair Bolsonaro recebeu um total de 230.473 votos (80,42% dos válidos) no segundo turno. No primeiro turno, ele havia recebido 186.109 votos (65,13% dos válidos). O policial civil Rodrigo Reis é eleitor de Bolsonaro e revelou que optou pelo candidato do PSL, entre outros motivos, por ele nunca ter recebido nenhum processo por corrupção.

 

 

Rodrigo acredita que Bolsonaro pode trazer melhoras ao Brasil através de um desaparelhamento estatal ideológico e de avanços no setor de segurança pública.

 

 

A estudante de direito Nathalia Lima revelou que votou em Fernando Haddad no segundo turno por se identificar com vários aspectos de seu plano de governo. “Votei no Haddad por vários motivos: porque ele apresentou uma proposta de social democracia para o Brasil; foi contra a reforma trabalhista do Michel Temer; é contra a privatização de estatais, como a Petrobras e a Eletrobras; propôs a taxação de grandes fortunas; defende a progressividade dos impostos, como o imposto de renda zero para quem ganha até cinco salários mínimos; e porque foi o ministro da educação que mais criou universidades e escolas técnicas na história.”

Nathalia ainda afirmou que não votou em Jair Bolsonaro por discordar de vários dos seus posicionamentos, principalmente em relação às minorias, mas que espera que o novo presidente da República faça um governo que respeite todos os brasileiros. “Não votei e não votaria de forma nenhuma no Bolsonaro por diversas questões. Não concordo com o posicionamento dele em relação às minorias, como negros, mulheres e LGBTs, e por um posicionamento econômico do Paulo Guedes, pois não vejo na privatização uma solução para o país, muito menos continuar com o sucateamento das nossas estatais. Mas espero que ele faça um governo que ao menos respeite a Constituição e os Direitos Humanos, que não incite a violência e que respeite todos os brasileiros.”

 

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